Método para votar nas #Europeias #EE2019 #Europeias2019 Um guia e análise dos programas eleitorais.

“Greens/EFA MEPs mark the rejection of ACTA by the European Parliament” by greensefa is licensed under CC BY-NC-ND 2.0

A imagem, de 2012 (mandato anterior), que escolhi para ilustrar este artigo fixou o momento em que o Parlamento Europeu rejeitou o ACTA, um péssimo tratado internacional para os direitos, incluindo digitais, dos cidadãos. Escolhi esta imagem porque ela prova duas coisas:

  • que os cidadãos conseguem derrotar más leis (derrotámos o ACTA nas ruas);
  • que os políticos não são todos iguais (há políticos que ouvem os cidadãos).

No próximo Domingo, há Eleições Europeias. Estas eleições são extremamente importantes: o que é decidido em Bruxelas, mais tarde ou mais cedo, há-de cá vir morder-nos abaixo, para o melhor e para o pior.

A Directiva dos Direitos de Autor é um exemplo disto. Nas últimas Europeias, a maioria dos cidadãos votou claramente nos partidos errados, a maioria dos Eurodeputados não ouviu a comunidade académica, nem os cidadãos, votou a favor da directiva, mantendo os pontos problemáticos e dentro de dois anos começaremos a sofrer as consequências.

Não estou, nem nunca estive filiada num partido. Nenhum partido tem o meu voto garantido. Em todas as eleições faço o seguinte:

  1. Escolho dois ou três temas que considero cruciais;
  2. Vou ver o que os partidos com assento parlamentar fizeram nesses temas;
  3. Vou ler os programas de todos os partidos, incluindo os que não tiveram assento parlamentar. Os programas são muito importantes porque são os compromissos que os partidos fazem connosco. Se o que dizem na TV ou nas redes sociais não estiver no programa não vale de nada.

Para estas eleições, os três temas cruciais para mim são:

  • Crise climática;
  • Direitos de autor/digitais;
  • Software Livre na Administração Pública.

São cruciais porque considerando os tempos que vivemos se um partido não tiver boas propostas nestes temas, por muito boas propostas que tenha noutras áreas, elas não vão valer de nada. Estes são os temas-base de hoje.

Para ler os programas, usei este artigo do Jorge Félix Cardoso, que lista os programas e as listas de candidatos dos vários partidos

PartidoPossibilidade de voto?Crise ClimáticaDireitos de Autor/DigitaisSoftware Livre na Adminsitração Pública
Aliança

Não

Não fala em crise ou emergência. Não tem propostas para resolver a crise.Não menciona.Não menciona.
Bloco de Esquerda

Sim

Fala em emergência ambiental. Foi o partido PT que mais defendeu o clima no PE*.O programa tem um capítulo sobre isto. Direitos Digitais são Direitos Humanos. O programa tem a oposição ao artigo 13 e propostas similares. O BE defendeu os direitos dos cidadãos e dos autores, votando sempre contra o artigo 13, quer nas Comissões, quer no Plenário do Parlamento.O programa não faz referência, mas o BE tem sempre defendido isto nos seus mandatos.
CDS-PP

Não

Não fala em crise, nem emergência. Foi o pior partido PT no PE na defesa do clima*. Pertence a um grupo Europeu (EPP) que tem tido uma má prestação na defesa do clima**.Não menciona no programa. Votou a favor do artigo 13 e da directiva, portanto contra os direitos fundamentais dos cidadãos.Não menciona.
CDU (PCP-PEV)

Sim

Várias propostas. Está entre os defensores do clima no PE*.Rejeita medidas como o artigo 13, no programa. Durante o processo defendeu cidadãos e autores votando contra a directiva.Não faz referência, mas a CDU tem sempre defendido isto nos seus mandatos.
Iniciativa Liberal

Não

Não fala em crise, nem emergência. Tem uma medida. O grupo Europeu no qual se irá integrar (ALDE) tem tido uma má prestação na defesa do clima no PE**.Rejeita medidas como os filtros automáticos, durante o processo da directiva mostrou-se contra o artigo 13, defendendo cidadãos e autores.Não menciona.
Livre

Sim

Tem várias e detalhadas propostas para a crise climática. Defende o Green New Deal. O grupo Europeu no qual se irá integrar (Greens/EFA) tem sido o maior defensor do clima**.Durante o processo da directiva mostrou-se contra o artigo 13, defendendo cidadãos e autores. Tem no seu programa uma proposta para rever a directiva. Propõe expandir o “uso justo”. Tem várias propostas para melhorar o direito de autor em várias áreas, incluindo normas de acesso aberto nas plataformas.Defende isto em vários pontos do programa. Tem apoiado a campanha Public Money Public Code***.
MAS

Não

Tem algumas (poucas) propostas. Não chega.Não menciona.Não menciona.
Nós, Cidadãos!

Não

Tem algumas propostas.Mencionam ser contra medidas que possam conduzir a mecanismos de censura, mas ligam isto à desinformação e não à directiva ou aos direitos de autor.Não menciona.
PAN

Sim

Tem várias propostas e detalhadas para lidar com a crise climática.São contra os filtros prévios, e portanto, contra o artigo 13.Defendem isto, apoiando a campanha Public Money Public Code***.
PS

Não

Tem algumas propostas. Tem estado dentro dos defensores do clima*.Não menciona no programa. Votou a favor do artigo 13 e da directiva e portanto contra os direitos fundamentais dos cidadãos.Não menciona.
PSD

Não

Tem algumas propostas. Foi um dos piores partidos PT na defesa do clima*. Pertence a um grupo Europeu (EPP) que tem tido uma má prestação na defesa do clima**.Não menciona no programa. Votou a favor do artigo 13 e da directiva e portanto contra os direitos fundamentais dos cidadãos.Não menciona.
PURP

Não

Não menciona.Não menciona.Não menciona.

* Ver imagem em https://twitter.com/ZEROasts/status/1118449119293509634

** Ver imagem em https://twitter.com/CANEurope/status/1131184103800352768

*** Ver https://publiccode.eu/pt/

Conclusão

No dia 26, o meu voto irá para um destes quatro partidos, os únicos que, após análise da sua prestação anterior (no caso em que tiveram assento parlamentar) e programas, considero terem o que é preciso para responder aos problemas base e mais urgentes dos dias de hoje:

  • Bloco de Esquerda
  • CDU (PCP-PEV)
  • Livre
  • PAN

Advertisements

Dia do #SoftwareLivre no #TechDays em Aveiro – Reservem a data 14 Outubro

A ANSOL celebra este ano o dia do Software Livre, com a Comunidade DrupalPT, no Sábado, 14 de Outubro em Aveiro.

Estaremos durante a manhã no Auditório Amorim, onde irá decorrer um debate VIP, com convidados de diferentes setores da atividade, incluindo o setor Público, e se irá analisar as oportunidades inerentes à utilização de Software Livre nas instituições públicas.

À tarde, no Auditório Principal, e em conjunto com a comunidade Portuguesa de Drupal, começaremos com uma apresentação de Marcos Marado, presidente da ANSOL, sobre a ANSOL, o Software Livre, e a importância das comunidades de software livre. No mesmo auditório, a tarde prosseguirá com apresentações preparadas pela comunidade Drupal.

Mais info e mapa no site da ANSOL. Encontramo-nos lá? 🙂

sticker2013

Se o dinheiro é público, o código tem de ser público! #PublicCode #SignTheLetter

As entidades que constituem a administração pública têm, muitas vezes, de desenvolver software: um website, uma plataforma, uma aplicação, etc. O desenvolvimento desse software é pago com dinheiro público, dinheiro dos impostos de todos nós.

O problema é que a administração pública permite que esse software tenha uma licença de software proprietário.

O que é que isto significa?

Esse software, que foi pago por todos nós, não pode ser reutilizado, nem verificado.

Mas se uma entidade pública licenciar o código do software que desenvolve com uma licença de software livre ou de código aberto, então qualquer outra entidade pode reutilizar esse código, para prestar serviços similares, poupando dinheiro, trabalho e tempo, uma vez que não é preciso estar a desenvolver novo código: reutiliza-se o que já existe!

Para além disto, é possível a qualquer pessoa ver o código desse software para verificar que o software não está a fazer nada que não deva fazer: que não está a enviar informação sobre o que têm no vosso computador para quem não deve enviar, que não tem backdoors, que possam servir de entrada a um ataque, etc.

Assim, a Free Software Foundation Europe (FSFe) criou uma carta aberta, a ser enviada aos representantes Europeus, para pedir a criação de legislação, que determine que o software financiado com dinheiro público e desenvolvido para o sector público tenha de ser disponibilizado com uma licença de software livre e de código aberto.

A carta já foi assinada por 80 organizações (incluindo as Portuguesas Associação Ensino Livre, a Associação Nacional para o Software Livre e a Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais). Assinem e enviem para os vossos contactos!

A lista de assinaturas que permite comentários tem vários bastante interessantes, que mostram bem como os cidadãos consideram esta medida óbvia e até que já devia estar implementada. Vale a pena percorrer os comentários aqui.

Para explicar melhor o que está em causa, a FSFe criou um vídeo, que deixo aqui:

Presidente da @FSFE em Lisboa

Matthias Kirschner, presidente da Free Software Foundation Europe, vai estar no dia 28 de Março no ISCTE, em Lisboa, para dar uma palestra titulada “The long way to empower people to control technology”.

O evento, organizado pela ANSOL com o apoio do MOSS (the Open Source Master programme) e do ACM Student Chapter, decorre entre as 18h e as 20h, no Auditório JJ Laginha do ISCTE.

Mais info e mapa no site da ANSOL.

matthias-kirschner-present-keynote

Recursos Livres [Download]

Já podem fazer download do PDF com uma lista de links para recursos livres, no site da Associação Ensino Livre.
A lista compreende livros, filmes, aulas, música, tipografia, etc com licenças creative commons ou em domínio público, podendo ser usados livremente.