eBooks: péssima decisão da Bertrand #drm #fail

A Bertrand decidiu começar a vender ebooks com DRM. Vamos comparar as vantagens de um ebook com DRM com as do respectivo livro em papel. Tomemos como exemplo o livro em destaque na secção de eBooks PT da Bertrand “A Mentira Sagrada”:

Livro eBook com DRM
Custa €15,75 Custa €14,50
Posso lê-lo onde quiser Só o posso ler em sistemas compatíveis com o ADE
Posso emprestar Não posso emprestar
Posso vender em 2ª mão Não posso vender em 2ª mão
Posso trocar Não posso trocar
Posso dá-lo a outra pessoa Não o posso dar a outra pessoa
Os meus herdeiros podem ficar com o livro Os meus herdeiros não podem ficar com o livro
Sou eu quem decide se fico com o livro para sempre ou não Se a Adobe decidir deixar o ADE, eu fico sem o livro e sem o dinheiro
A partir do momento em que compro o livro, o editor não pode restringir a minha utilização legal do mesmo A qualquer altura o editor pode decidir restringir a minha utilização legal do livro como por exemplo o tempo de acesso à obra. O editor pode mesmo, em qualquer altura, impedir o mero acesso ao livro.

A Bertrand decidiu começar a vender ebooks com DRM, cometendo os mesmos erros da indústria discográfica. Depois não se queixem…

Para já, a Bertrand acabou de perder dois clientes.

19 thoughts on “eBooks: péssima decisão da Bertrand #drm #fail

  1. 3!

    Além do DRM, os livros têm preços exageradíssimos para ebooks.

    No exemplo que referiu acima, quase não há diferença.

    Absolutamente ridículo.

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  2. […] A Bertrand decidiu começar a vender ebooks com DRM. Vamos comparar as vantagens de um ebook com as do respectivo livro em papel. Tomemos como exemplo o livro em destaque na secção de eBooks PT da Bertrand "A Mentira Sagrada": Livro eBook Custa €15,75 Custa €14,50 Posso lê-lo onde quiser Só o posso ler em sistemas compatíveis com o ADE Posso emprestar Não posso emprestar Posso vender em 2ª mão Não posso vender em 2ª mão Posso trocar Não posso troc … Read More […]

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  3. José Silva says:

    Bertrand é da Porto Editora, e em bertrand.pt apenas replicaram o que já havia em wook.pt (a livraria online da PE).

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  4. A estratégia da Porto Editora (e da Leya, já agora), é tão má quanto a da Bertrand. A Bertrand tem muito mais visibilidade do que as editoras, o que demonstra bem que a venda de ebooks com DRM se está a espalhar em Portugal como uma praga, num profundo despeito pelo leitor-cliente (e desconfio até que com desrespeito pelos autores e pela lei – mais sobre isto dentro de dias).
    Os grandes (não necessariamente bons) do mundo dos livros em Portugal vêem o negócio dos livros apenas como um negócio: são livros, podiam ser sabonetes…
    Deixei de comprar livros (em papel) da Porto Editora e da Leya há bastante tempo, pelas mesmas razões (também não dou dinheiro à HarperCollins, por exemplo). Não sei se encontra algum post aqui sobre a PE ou sobre a Leya, mas quase de certeza que encontra no meu twitter ou friendfeed. Não é a primeira vez (nem a segunda sequer) que chamo a atenção para este problema.
    Não há nenhum argumento aceitável para colocar DRM nos objectos digitais e fazê-lo é uma perversão do próprio princípio do direito de autor.

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  5. @Paula Simões: Obrigado pela análise comparativa. Simples e muito clara!

    Uma pequena nota: talvez fosse mais exacto referir “Vamos comparar as vantagens de um ebook *com DRM* com as do respectivo livro em papel.”
    E o título da coluna da tabela ser “eBook *com DRM*”

    É que um ebook “vulgar” (sem DRM) não tem a maioria dos inconvenientes listados🙂

    Obrigado pelo post e pelo apoio à campanha “Readers Against DRM”.


    Comentários via blog “Sobre Literacia Digital”
    http://sobreliteraciadigital.wordpress.com

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  6. Daniel says:

    Que eu saiba, em Portugal sem DRM só tem a Eucleia Editora, mas ainda não expandiram o catálogo digital. Penso que a procura de ebooks em Portugal ainda é pouco expressiva.

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  7. Daniel says:

    Ah, e no caso da Eucleia o preço de ebook é bem mais baixo do o do livro impresso. Pena, de facto, ainda não terem muitos ebooks disponíveis.

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  8. Carlos Sena says:

    Cara senhora, creio que faltou dizer uma coisa importante quando fez a comparação dos preços: o livro impresso paga 6% de IVA e o ebook paga 23%, o que significa que o facto da diferença não ser maior se deve primordialmente ao que o Estado arrecada com cada um dos formatos. Quanto ao uso DRM, creio que está equivocada: mesmo depois de, por exemplo, o iTunes disponibilizar música sem proteções contra cópia as pessoas continuaram a piratear – o problema das cópias ilegais não é o DRM, é o facto de muitos acharem que é legítimo copiar só porque é fácil. Quanto a comprar ou não, é um direito seu. Afinal, pode sempre adquirir um dos títulos do extenso catálogo da Eucleia…

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  9. O sr Carlos Sena tem de se informar melhor. O DRM não desapareceu da música (nem dos mp3, nem dos CD) e a iTunes é apenas uma parte desse sistema. Sendo que a iTunes ainda vende obras com DRM.

    Ainda na semana passada comprei um ebook, sem DRM, que necessitava para o meu trabalho. Mas não vou dar dinheiro a empresas que me retiram direitos.

    Por outro lado, eu percebi cedo que não tenho tempo de vida suficiente para ler uma pequena parte que seja dos bons livros que estão publicados e que se continuam a publicar.

    Em casa tenho cerca de 2000 livros em papel, e em casa dos meus pais ainda mantenho um pouco mais do que isso.

    O sr. Carlos Sena não se preocupe com a qualidade da minha leitura, porque a qualquer hora do dia ou da noite eu posso encomendar livros de qualquer parte do mundo e ter daí a alguns dias um senhor à porta para mos entregar.

    Mas se por alguma ironia do destino eu quiser mesmo muito ler um livro da Porto Editora que não seja possível encontrar em mais nenhuma edição, também não sou obrigada a dar-lhes dinheiro para me retirarem direitos: é que existe um tipo de instituição pela qual tenho um enorme carinho, a biblioteca.

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  10. Carlos Sena says:

    Cara Senhora, não referi em momento algum que o DRM “desapareceu” – exemplifiquei com a opção disponibilizada pela iTunes Store que as vendas não aumentaram (aliás, globalmente, as vendas têm vindo a cair). Reparei igualmente que nada referiu quanto à questão do IVA e à sua influência no preço final dos ebooks – é uma forma muito particular de debater estas questões: a fuga. Talvez devesse pensar nisso antes de dizer que alguém se “tem de informar melhor”. Já agora, o carinho que sente pelas bibliotecas é algo que temos em comum, nomeada mas não exclusivamente, porque os livros que lá se encontram foram, regra geral, pagos por alguém (ou até por si, por via dos impostos).

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  11. Se o sr. Carlos Sena quer discutir vendas, terá de fazer o favor de arranjar o número de vendas global e internacional (de todas as editoras, independentes incluídas, de CD, Vinil, mp3, etc) ao longo do tempo para compararmos. E eu até lhe agradeço, porque não os consigo encontrar.

    Aqui há uns anos, o cidadão tinha pouca escolha, pelo que gastava mais dinheiro com poucas editoras. Hoje, como aumentou a oferta, é natural assumir que o cidadão gasta menos dinheiro com muitas editoras. Isto não significa que o cidadão gaste menos com a compra de música. Significa que as tais poucas editoras vendem agora menos porque surgiram outras no mercado.

    Falemos do IVA. Mas para falarmos do IVA, no sentido em que é esse o responsável pelo preço elevado dos ebooks em relação ao livro em papel, teremos de falar do custo de um ebook.
    Vejamos, ao contrário do livro, o custo do ebook existe apenas para o primeiro exemplar, quer isto dizer que um ebook custa tanto a fazer quanto 3000 ebooks ou 7000 ebooks ou 200 000 ebooks (do mesmo livro, obviamente). Isto não acontece nos livros de papel.
    Por outro lado, no geral os ebooks não são “born digital works”, no geral o livro (ainda) é editado em papel e depois é criado o ebook.
    Estou a supor, espero que acertadamente, que nos dias de hoje quando se faz uma tiragem de um livro de papel existe em algum ponto do processo um ficheiro digital desse livro.
    Assim sendo não estou a ver como é que a transformação de um ficheiro digital noutro ficheiro digital possa custar assim tanto.
    Também aqui se tiver números (para Portugal) comparativos entre os custos de um livro em papel e de um ebook, agradeço.

    Os livros das bibliotecas foram pagos. Mas o sr nunca me viu a defender o contrário. O meu ponto aqui e no post mais recente é o DRM.
    O direito do autor é uma excepção que se dá aos autores por um determinado período de tempo limitado. Mas este direito pode colidir com direitos fundamentais, como a educação, a liberdade de expressão, etc.
    E a lei reconhece esta colisão e tenta evitá-la, quando lista as excepções ou utilizações livres.
    A utilização de DRM anula essas utilizações livres. A partir do momento em que uma editora coloca DRM num objecto digital é a editora que passa a ter o poder de retirar os direitos que a lei me dá.
    Se a editora achar que eu só posso ler o ebook que comprei ao Domingo depois das 9h da noite, a editora pode fazê-lo. Se a editora se arrepender de me ter vendido o livro, pode tirar-mo (já aconteceu).

    Eu não posso dar dinheiro a pessoas destas, pois não?

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  12. Caro Carlos Sena,

    As vendas de música da iTunes Store sempre cresceram, quarter atrás de quarter, desde o aparecimento da store, até, pelo menos o último quarter de 2010 (por acaso não tenho presente números de 2011 referentes à iTunes Store, se bem que os primeiros meses do ano foram o melhor período de sempre de crescimento de vendas de música em formato digital na generalidade, e a Nielsen atribui isso à existência do catálogo dos Beatles na iTunes Store).

    Mas, no fundo, a questão de comprar ou não produtos com DRM nada tem a haver com o facto de se o DRM ajuda ou prejudica as vendas – tem simplesmente a haver com o facto de que o DRM restringe direitos aos consumidores. Mais informação sobre isso em http://drm-pt.info/moin/FAQ .

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