Será isto um estudante de Coimbra?

Inflamaram-se algumas almas com as pinturas nas escadas monumentais, em Coimbra, pela CDU. Só quem nunca viveu em Coimbra ou andou sempre de olhos fechados é que se pode indignar agora com tais pinturas. Desde 1974, que as monumentais são pintadas e desde então que a chuva sempre lavou as pinturas. E não apenas pela CDU, mas por outras forças políticas, listas que costumam concorrer à Associação Académica de Coimbra (AAC) e até pela própria Associação Académica de Coimbra. E não consta que seja ilegal.

É preciso uma grande lata para o presidente da AAC vir dizer a público que a tinta de água da AAC nunca “danificou” as escadas, mas a tinta de água da CDU já “danifica”.

No Facebook, há uma página onde há comentários de um ódio absolutamente inacreditável. Cheguei mesmo a ver um comentário de alguém que sugeria receber o sr Jerónimo de Sousa à pedrada! No Facebook, vê-se bem que o problema não são as pinturas, mas o facto de terem sido feitas pela CDU, porque no passado outras entidades o fizeram e as pessoas já não vêem nada de mal…

A ignorância raia o desespero. No Twitter, houve mesmo quem afirmasse “Já agora pintem a Torre de Belem, os Clerigos, o Mosteiro da Batalha…” e as insinuações de danificação a um monumento nacional abundam…

Ora, as escadas monumentais não são monumento nacional, nem sequer monumento. Mais, a Universidade de Coimbra está a candidatar-se a Património Mundial e na página respectiva lista os núcleos e para cada um destes os locais a serem considerados.

As escadas monumentais não estão sequer nessa lista. As únicas escadas que estão na candidatura são as Escadas de Minerva (sitas ao lado da Biblioteca Joanina), que adquiriram a configuração actual em 1724.

As escadas monumentais foram construídas durante o Estado Novo e se forem símbolo de alguma coisa, serão símbolo da arquitectura desse período, um período do qual não nos podemos orgulhar.

O Aventar tem um excelente post sobre este assunto e um vídeo bastante interessante sobre o boicote (sim, boicote) ao comício do PC. Há várias coisas que estranho nesse vídeo:

  • A rapidez e veemência com que o estudante nega qualquer organização ao jornalista que lhe pergunta “vocês organizaram isto (…) suponho que seja por causa das pinturas…”
  • O facto de se assumir como anti-partidário. Se não defende a existência de partidos, defende o quê? Uma anarquia? Uma ditadura?

Não tenho dúvidas sobre a ignorância e intolerância nesta questão, mas continuo a questionar-me: serão assim os estudantes de Coimbra ou há outros partidos por trás?

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