O financiamento estatal das escolas privadas

Há já algum tempo que as notícias fazem eco de manifestações e críticas de escolas privadas, motivadas pelos cortes ao financiamento estatal.

As escolas privadas começaram a receber financiamento do Estado há 30 anos atrás e a razão foi a falta de oferta pública, em determinadas regiões. Mas nos dias de hoje, existem apenas 18 escolas privadas a mais de 15km de escolas públicas. Realmente, é uma injustiça. E direi mais, estes cortes são profundamente injustos, porque na maioria dos casos (pessoalmente, em todos), estas escolas nem sequer deveriam ter qualquer financiamento do Estado, a priori.

Fernanda Câncio analisa, neste post do Jugular, o caso de uma escola privada, em que parte dos alunos tinham vagas numa escola pública, muito mais perto de casa. Parece, que afinal, há casos em que a distância não é problema para os pais. A mesma autora dá conta dos dislates do sr. Jorge Cotovio. Ide ler, para perceber realmente as razões das escolas privadas.

Das opiniões contra estes cortes, que vejo por aí, muitas invocam a “qualidade” das escolas privadas. E isto, para mim, é absolutamente surpreendente.

Fiz o, na altura chamado, secundário há já alguns anos. Nessa altura, as médias do 10º, 11º e 12º anos contavam para o acesso à Universidade.

Lembro-me de ter vários colegas no 7º, 8º e 9º anos, que foram fazer o 10º, 11º e 12º anos num colégio. Lembro-me de alunos, que foram meus colegas até ao 11º ano e que foram fazer o 12º ano num colégio. Lembro-me de casos de colegas que faziam o 1º e 2º períodos na escola pública e faziam transferência para uma escola privada no 3º período.

Vi colegas com notas de 10, 11, 12 valores no 1º e 2º períodos, numa escola pública, acabarem o ano numa escola privada com notas de 15, 16 e 17 valores.

E direi que isto era prática habitual porque esses meus colegas sabiam (e diziam-no) de antemão que iriam fazer o 3º período ou o último ano do secundário numa escola privada “para melhorar a média”. Não era para aprenderem mais ou melhor, era para terem melhores notas.

Curiosamente, uma notícia no DN de Dezembro do ano passado dava conta de que as escolas privadas não passam “pela avaliação externa, levada a cabo pela Inspecção-Geral de Educação“.

Para compreender as restantes confusões, nesta discussão, é melhor irem ler o post do Ludwig Krippahl, porque eu não o explicaria melhor.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s