O Hiper da @FLivroLisboa e outras coisas que me aborrecem…

Estando em Lisboa há pouco tempo não se pode dizer que tenha um conhecimento profundo daquilo que é a Feira do Livro. Ainda assim, e na pouca experiência que tenho desta feira, há coisas que me incomodam.

Pressinto desavenças, zangas, polémicas e protestos aqui, protestos ali e protestos acolá (de editores e livreiros), que apesar de ser apenas uma leitora, fazem sentido para mim. Nestes surge quase sempre a APEL. É com alguma surpresa que verifico que a APEL é a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (negrito meu). Talvez o problema da APEL seja o problema do informático/designer e do arquitecto/engenheiro, profissões que andam muitas vezes lado a lado, que dependem uma da outra, mas que têm interesses diferentes. A diferença é que cada uma daquelas profissões têm ordens ou associações para cada uma delas.

E neste sentido parece-me bastante lúcida a análise do Rui Pedro Lérias da Loja de História Natural.

Ganho sempre expectativas sobre as feiras do livro. Para mim, a Feira do Livro deveria ser um espaço onde se disponibilizassem ao público aqueles livros que ficaram em stock, que não se venderam, que saíram das montras e prateleiras para dar lugar a outros. Para mim, a Feira do Livro deveria ser a segunda oportunidade para os livros que ficaram esquecidos, condenados sabe-se lá a quê. E esta seria também uma segunda oportunidade para os leitores.

Porque, convenhamos, se eu quiser comprar a última novidade em livros, não vou à Feira do Livro, vou a uma livraria.

As barraquinhas que mais gosto de visitar são as primeiras (algumas de alfarrabistas) e das outras tendo a dar mais atenção às abas laterais, para onde são relegados precisamente esses outros livros esquecidos.

Numa dessas barraquinhas deparei-me com o facto de a aba onde estavam expostos os livros ser tão alta que me dava pelo nariz, forçando-me a colocar em bicos-de-pé e ainda assim a verificar dificuldade em ver os livros expostos. Pelo que me permiti o desabafo: “Não querem cá gente baixa, não!”
A senhora, ouvindo-me, ripostou com a explicação que me deixou atónita: parece que é possível colocar um degrau de madeira, nesses locais, para que as pessoas possam subir e ver melhor os livros, mas esses degraus custam 200 e tal euros, se forem comprados e cento e tal euros se forem alugados. Cento e tal euros por um degrau de madeira, que até eu conseguia fazer!

Tanto quanto sei, as barraquinhas têm de ser alugadas (a senhora indicou que as condições melhoraram, embora por aqui e por ali, eu tivesse visto vendedores a queixarem-se do frio) por editores e livreiros que queiram estar presentes na Feira do Livro e são obrigatórias. Ora, se as ditas barraquinhas de um dos lados são demasiado altas para as pessoas poderem ver os livros, o tal degrau deveria fazer parte da barraquinha e nunca ser considerado um extra com um preço absurdo.

Outra das coisas que me aborrece profundamente na Feira do Livro de Lisboa é aquilo a que chamo o “hiper”. O ano passado, ao cimo da primeira fiada de barraquinhas de livros, eu e o Marcos deparámo-nos com um espaço diferente, completamente descontextualizado do resto da Feira do Livro, a começar pela entrada (só o facto de ter uma entrada já faz imaginar o grau do despautério) onde estão duas “antenas”, sim, “antenas” exactamente como aqueles alarmes que se encontram à entrada dos hipermercados. Ainda na entrada, deparámo-nos com o segurança (leram bem, um segurança!) e lá dentro, em círculo, várias barracas, infantário, palco e um sem número de pessoas de camisola vermelha com letras brancas nas costas a dizer “STAFF”.
Ora, se eu quiser ir a um hipermercado, tenho vários bem mais perto e abertos todo o ano, não preciso de ir à Feira do Livro.

Também não percebo a preocupação com a uniformidade do aspecto da Feira do Livro (barraquinhas iguais) para depois deixarem uma editora fazer o que lhe apetece com o aspecto da sua exposição.

Gosto bastante de percorrer a Feira do Livro, apesar destas coisas que me aborrecem. Este ano encontrei dois livros que nem sabia que existiam: duas antologias dos anos 80 de contos policiais (já conhecia a Colecção XIS, mas não sabia que tinha havido números de antologias):

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E ainda trouxe dois livros, também policiais, cuja autora foi distinguida com os prémios Edgar e Nero Wolfe:

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Todos encontrados numa das abas das barraquinhas🙂

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