Reflexões sobre universitários

Mesmo sabendo que situações de copy/paste e de trabalhos feitos por outrém são comuns, eu continuo a ficar chocada com situações como as descritas neste post do João Craveiro.

Há uns tempos, perguntaram-me numa conferência como se lidava com o copy/paste da internet nos trabalhos académicos. Na verdade, não há muito a lidar: plágio é crime e deve ser tratado como tal. Curiosamente não me lembro de nenhuma universidade portuguesa que tenha aplicado penas superiores a um aviso (pelo menos que eu saiba). Talvez fiquem preocupadas (e envergonhadas) com a imagem que os alunos lhe dão.

Na Finlândia, não há apelo, nem agravo. Na universidade de Turku, os alunos estrangeiros recebem vários folhetos quando chegam e nos quais se diz que se forem apanhados a cometer plágio são mandados de volta para a universidade de origem com um aviso. À segunda ou terceira vez que um aluno for apanhado a cometer plágio de uma mesma universidade, a universidade de Turku recusa mais alunos dessa mesma universidade.

E há mecanismos para confirmar os trabalhos. Na universidade de Uppsala, na Suécia, os alunos devem enviar os trabalhos aos professores por email, que os fará passar por um sistema capaz de detectar se o texto foi copiado de livros ou não.

À pergunta que me fizeram sobre o copy/paste ainda acrescentei outras questões: será que o aluno que faz copy/paste têm consciência de que está a queimar um trabalho?

Imaginemos um aluno dos primeiros anos de uma licenciatura que faz um trabalho para uma cadeira e que comete plágio. Esse aluno nunca mais poderá pegar nesse trabalho para o desenvolver de forma mais profunda, em anos seguintes. Eu fiz alguns trabalhos na minha licenciatura que dariam óptimos pontos de partida para uma tese de mestrado, por exemplo.

Será que os alunos não têm qualquer orgulho nos trabalhos que fazem?

Será que estamos condenados a dizer que, por estas terras, o herói é o que quebra as regras? É o mau da fita? É a pessoa que foge aos impostos? É o aluno que copia?

Será que os nossos alunos universitários não têm consciência que o tempo que passam na universidade é o tempo ideal para experimentarem ideias e desenvolver projectos, que poderão vir a utilizar mais tarde?

O que leva um aluno universitário a queimar este privilégio?

5 thoughts on “Reflexões sobre universitários

  1. O que leva um aluno universitário a queimar este privilégio?

    Eu diria que o problema é um de mentalidades, mas não sobre o facto de estarem a cometer plágio. O problema, a meu ver, é que as pessoas vão para a Universidade não para aprender, não para adquirir conhecimentos ou competências, mas sim para “tirar um curso”, que, para eles, significa “ter um canudo”, uma questão de “Currículo”.

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  2. António Afonso says:

    Acho que é exactamente como o Mind Booster Noori diz, as pessoas querem é ser Engenheiras ou Doutoras.
    No técnico é prática comum verificar o plágio entre projectos, a haver, tanto o aluno que copiou como o que foi copiado chumba imediatamente à cadeira.

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  3. Infelizmente é bem verdade que o o Mind Booster Noori diz mas a culpa não passa só pela sociedade como também pelos cursos em si que muitas vezes não reflectem o mercado de trabalho e/ou não são minimamente estimulantes ao nivel intlectual.

    No entanto nada desculpa o plágio!

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  4. talvez há muitos anos atrás o meio académico português tenha sido, em espírito, em ideal vivido, mais aproximado daquilo que devia ser, um meio privilegiado para aprender, investigar e construir saber.

    mas hoje, regra geral, não é, tal como já comentaram aqui.

    hoje é, tal como muitos outros, uma comunidade bem à portuguesa e eu acrescento ao rol de suspeitos alguns professores que já foram formados por esse mesmo sistema, com a diferença de que esses foram para o universidade para “seguirem a carreira académica” o que é praticamente igual a fazer curriculum para “seguir a carreira empresarial”

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  5. Infelizmente é um pouco como o Marado diz, mas passo a minha experiência com uma professora que me queimava neurónios e eu a ela, mas tinha uma técnica muito simples para saber o copy/paste, bastava escrever a primeira frase de cada paragrafo de alguns parágrafos à escolha… Simples e funcional, confesso que fui apanhado em 2 ou 3 trabalhos nuns quantos parágrafos, tendo plena consciência disso, no entanto não tinha-mos (o meu grupo) muito tempo para os acabar, logo de vez em quando recorria-mos a essa técnica. No entanto tínhamos pelo menos um bom trabalho de investigação e recolha de dados.
    Uma coisa também defendo, copiar é uma coisa, copair mas ler, alterar e saber o que está lá, tratando e contextualizando é outra completamente diferente. Tive colegas que nem se davam ao trabalho de traduzir de PT-BR para PT, ao menos nós sempre citávamos.

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