Aos que aprovam o acordo ortográfico

No El Pais (English edition with the International Herald Tribune)

“Parliament in Lisbon ratifies accord to standardize Brazilian version of language”

(…)

“In a humbling case of the empire striking back, Portugal’s Parliament on Friday ratified an interantional agreement that will have Portugal’s  10 million people speaking and writing in a virtually identical way as the 190 million inhabitants of their former Brazilizn colony within six years”.

Não se dá o caso de alguns países terem acordado de forma equidistante normas ortográficas. Não. A imagem é: os Portugueses vão passar a falar e a escrever como os Brasileiros.

“(…) Graça Moura’s petition  garnered 32000 signatures while a rival initiative in favor of changes obtained just 800 (…)”

Espero que aqueles que tecem argumentos a favor do acordo como “temos de deixar de ter a ideia de que somos donos da língua” e “a linguagem é de quem a fala”, sintam bastante vergonha perante estes números.

4 thoughts on “Aos que aprovam o acordo ortográfico

  1. Os números não me surpreendem, porque os portugueses, quando se querem mostrar contra algo, fazem-no sempre em bom número. Mas acho caricato, no mínimo, dizerem que os portugueses estão a tornar o português brasileiro a língua padrão do país; e isso vai um pouco de encontro à ideia que tinha do acordo ortográfico.

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  2. António Afonso says:

    Não sei qual é o espanto, já se sabe como é o jornalismo, pelos vistos na nossa vizinha Espanha a coisa não melhora.
    jornalismo (tipicamente) = sensacionalismo (vamos lá vender mais uns jornais)
    Dizer que um acordo ortográfico muda a forma como se fala é no mínimo um atestado de estupidez.
    Secalhar os vizinhos do Brasil disseram que o Brasil agora voltou aos tempos coloniais porque vai começar a escrever como os portugueses sem trema, cada um puxa a brasa à sua sardinha.

    Além disso, se baseassemos os nossos actos naquilo que os outros podem pensar nunca faríamos nada🙂

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  3. Caro António, não se esqueça que dentro do jornalismo, como o temos hoje, o El Pais é um jornal de referência. Dos melhores.

    Sim, o acordo poderá mudar a forma como fala. Há consoantes que ao serem retiradas mudam a abertura das vogais, por exemplo. Pelo que não concordo consigo sobre o atestado de estupidez (pelo menos no que toca ao El Pais, nesta matéria)

    E se vir bem, no acordo, é Portugal quem fará maiores mudanças na aproximação.

    De resto, este acordo é um acto baseado naquilo que os outros pensam, uma vez que são decisões políticas, as razões que levaram à sua aprovação.

    A língua pertence aos falantes: se a determinada altura os falantes passassem a escrever umido, não me surpreenderia que esta palavra passasse a ser parte da língua e dar-lhe-ía o meu apoio – teria de dar é assim que a língua evolui: na verdade, muitas das palavras que temos hoje surgiram assim.
    O que é revoltante é que sejamos obrigados a escrever umido porque meia dúzia de pessoas quiseram, decidiram.

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  4. hav0x says:

    Ninguém obriga ninguém a escrever, seja o que for, seja como for. That’s the beauty of it.
    Mas gostava de ver alguem tentar obrigar-me a escrever “umido” em vez de húmido.
    O pseudo acordo é de resto tão acéfalo que nem vale a pena comentar.

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