Novas seitas

É verdade. Nota-se o aparecimento de novos grupos.Ainda não se confirma, se seitas, religiões ou meramente grupos políticos ou sociais. O certo é que se começam agora a desenvolver. O objectivo de um destes grupos é deixar de fazer celebrações e apoiar-se na máxima:

São coisas que não aconteceram no nosso tempo, sabemos o que são, mas não vemos razão para comemorarmos. That’s all!

Quando a mãe diz filho que a avó faz anos, aquele responde que não lhe dará os parabéns, nem celebrará o dia, uma vez que a avó não nasceu no seu tempo. Qualquer acontecimento histórico deixará de ser celebrado (a não ser que ocorra no seu tempo, o que quer que este seu tempo signifique). Também não celebram o Natal ou qualquer outra festividade perdida na memória do tempo. Aliás, pretendem acabar com a memória: não lhe vêem utilidade. No seu percurso escolar recusar-se-ão a estudar qualquer fenómeno cuja existência seja anterior ao seu nascimento: odeiam electricidade e adoram iPod’s.

Não faltará muito tempo até estas pessoas irem para a rua com cartazes a dizer “Abaixo o aniversário da Avó”

Por isso, caro leitor, se começar a sentir que há pessoas que parecem esquecer-se do seu aniversário, não fique triste e indague se não serão mais novas.

Depois há outro grupo, que parece sentir alguma raiva a marcos históricos como o 25 de Abril: estes parecem pensar que antes não havia tachos, nem diferenças económicas entre as pessoas. Supõe-se que este seja um subgrupo do anterior, dado que não lhes parece passar pela cabeça que havia um lápis azul prontinho a desenhar um país idílico. Ou isso, ou acham mesmo sinceramente que ainda assim, seria preferível ter uma guerra onde os irmãos perecessem ou não pudessem ter conhecimento ou preferissem que os levantassem de noite da cama, porque alguém disse que eles falaram mal do regime.

Há ainda um terceiro grupo que celebra o 25 de Abril, mas faz notar sempre a importância do outro 25, o de Novembro (que quase parece ter mais importância). Acreditam realmente que se o tal 25 de Novembro tivesse sido bem sucedido, em Dezembro seguinte, Portugal teria uma ditadura comunista, igualzinha à da Rússia. Não. Mais. Melhor. Ou pior, como o leitor preferir.

Num país conhecido por atrasos temporais nas construções, derrapagens de orçamentos, política do deixa andar, estas pessoas acreditam mesmo que se tivesse sucedido este outro 25, em menos de uma semana seríamos uma Rússia! Não deixa de ser curioso que esta facção critique com toda a força da sua raiva o partido comunista e que eu, há pouco tempo, a folhear um livro de história me tenha deparado com a asserção que este 25 de Novembro só não foi avante por não ter o apoio incondicional daquele partido.

O melhor mesmo é voltarmos todos a abrir os livros da História: e é aproveitar enquanto podemos.

10 thoughts on “Novas seitas

  1. Eu não sei que livros andaste a ler, mas negar que o Verão Quente foi uma tentativa de implantar uma ditadura comunista (e sucessiva ruptura da PREC e “queda” de Cunhal) é negar algo documentado historicamente.

    Eu comemoro o 25 de Abril tão entusiasticamente como comemoro o 25 de Novembro. Ambas as ditaduras, opostas, me desagradam.

    Do teu artigo só posso depreender que a diferença, a liberdade para comemorar ou ignorar, a liberdade para escolher o que nos é importante, é algo totalmente irrelevante para ti.

    A dissidência e a pluralidade foi algo que nunca foi muito bem visto pelo PCP. Os demissionários do partido que o digam.

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  2. Do meu artigo, não depreendes nada disso. Serviu-te o chapéu, foi? É essa a razão do aborrecimento que mostras? Leste bem aquilo que eu escrevi?

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  3. Mário: pode não ser muito claro, mas a Paula falou no terceiro grupo daqueles que usam o 25 de Abril como motivo para criticar a esquerda, falando nesse dia sobre um outro, o 25 de Novembro, dando-lhe muitas vezes maior importância, e enaltecendo-o sempre não pela importância que teve, mas porque fazê-lo é, também, criticar a esquerda, mesmo que uma esquerda diferente e desadequada àquela que pretendem atingir.

    O que eu não compreendo, é mesmo de onde tiras a ideia de que “a diferença, a liberdade para comemorar ou ignorar, a liberdade para escolher o que nos é importante, é algo totalmente irrelevante” para a Paula. Como inferes tal coisa?

    Quanto ao PCP, não vejo como se adequa a frase “dissidência e a pluralidade foi algo que nunca foi muito bem visto pelo PCP” ao tema ou aquilo que a Paula disse. Ela realçou um facto muitas vezes convenientemente ignorado: “este 25 de Novembro só não foi avante por não ter o apoio incondicional daquele partido”. Isto não é uma posição política, é um facto. Pode ainda ser visto como crítica, aqueles que usam o 25 de Novembro para criticar o PCP. Concerteza haverão maneiras mais lógicas de o fazer.

    Acredito que haja uma qualquer razão para tão agitado comentário, para tão furiosa resposta. Só não consigo compreender o porquê. Podes explicar?

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  4. Eu começo a ficar sem paciência para ti, Mário, a sério que começo. Mas é preciso que notes três coisas:

    Antes demais é de uma imensa indelicadeza da tua parte tentares lançar suspeitas às minhas leituras, como uma forma de descredibilizares o meu post, só porque não gostaste do que eu escrevi.

    Sou uma leitora compulsiva, adoro ler, não te admito tal falta de respeito.

    Em segundo lugar, eu não neguei nada. Para além do analfabetismo (não saber ler), temos em Portugal um problema igualmente grave, a iliteracia (não saber interpretar) e é por isso que não te vou insultar, explicando o que escrevi. Está lá para leres. Tenho a certeza que se o leres com atenção, consegues perceber.

    Em terceiro lugar, eu não sei que problema tens com o PCP, mas vires aqui despejar uma frase como se ela me dissesse respeito é execrável.

    Eu não tenho nenhum tipo de ligação com nenhum partido político. As minhas opniões estão completamente livres desse tipo de amarras.

    Mas tu, Mário, com teu cartão de militante do PSD “no topo de todos os cartões da carteira” já não podes dizer o mesmo, pois não?

    Já todos percebemos que tens um ódio desmesurado ao PCP. Ainda não percebi se vem com o cartão de militante do PSD ou se é mesmo só teu. E não me incomoda, a sério que não quero saber. Pouco me importa.

    Mas já me incomoda que para poderes esvaziar essa raiva contida, venhas aqui alterar o sentido do que eu digo ou tecer considerações falsas sobre a relevância de valores que me são demasiado caros como a liberdade.

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  5. Tentarei cingir-me a respostas directas para que não crie mais crispação por esse lado.

    pode não ser muito claro, mas a Paula falou no terceiro grupo daqueles que usam o 25 de Abril como motivo para criticar a esquerda

    Não consigo ver isto senão como um grande complexo de perseguição. O 25 de Abril é de todos, de esquerda e da direita. O 25 de Novembro é enaltecido porque evitou uma segunda ditadura e penso que isso será de vangloriar também, pelo menos para a esquerda moderada, centro e direita.

    O que eu não compreendo, é mesmo de onde tiras a ideia de que “a diferença, a liberdade para comemorar ou ignorar, a liberdade para escolher o que nos é importante, é algo totalmente irrelevante” para a Paula. Como inferes tal coisa?

    É simples. Leu meia dúzia de posts dissidentes da sua opinião e apelidou os seus autores, onde eu me incluo directa ou indirectamente (directa se visado, indirecta porque faço parte da tal “seita” que também dá valor ao 25 de Novembro). Agora, apelidar alguém de seita (com a devida crítica inerente) porque defende determinada opinião é marginalizar a liberdade e opinião dos outros.

    Acredito que haja uma qualquer razão para tão agitado comentário, para tão furiosa resposta. Só não consigo compreender o porquê. Podes explicar?

    Eu sei que na internet é complicado transmitir opiniões. Escrevi o comentário muito relaxado. Deveria ter deixado um ou outro smiley. Mea culpa🙂

    Antes demais é de uma imensa indelicadeza da tua parte tentares lançar suspeitas às minhas leituras, como uma forma de descredibilizares o meu post, só porque não gostaste do que eu escrevi.

    Eu não lancei suspeitas nenhumas. Atenta no que escreveste:

    “a folhear um livro de história me tenha deparado com a asserção que este 25 de Novembro só não foi avante por não ter o apoio incondicional daquele partido.”

    Perante tal informação só posso concluir que leste um livro muito faccioso e historicamente pouco credível. Talvez a biografia do Álvaro Cunhal? O PCP não apoiou formalmente a revolução porque viu que o 25 de Novembro não resultou. Agora, acreditar que eles não queriam apoiar essa revolução (que já estava a acontecer, nomeadamente com a invasão de muita propriedade privada, e com o apoio de muitos militantes do PCP), é ser lírico.

    Não é um insulto a ti e não espero que o interpretes como tal. Apenas um esclarecimento para o bem da verdade.

    Em terceiro lugar, eu não sei que problema tens com o PCP, mas vires aqui despejar uma frase como se ela me dissesse respeito é execrável.

    Tu pegaste em opiniões que não seguem as bases da tua e, com base nisso, apelidaste tais grupos de apoiantes de “seitas”.

    O PCP faz precisamente o mesmo, excluindo as vozes dissidentes do Partido. Era apenas uma comparação. Boa ou má, cabe a cada um interpretar.

    Já todos percebemos que tens um ódio desmesurado ao PCP

    Como tenho ao PNR. Só que o PNR não obtém votos mas o PCP consegue ir escamoteando a sua obsessão com a ditadura do proletariado, encapotando-a em leis aparentemente moderadas mas que no poleiro seriam bem diferentes. E o povo acredita.

    Portanto, é esse o meu problema com o PCP.

    Mas já me incomoda que para poderes esvaziar essa raiva contida, venhas aqui alterar o sentido do que eu digo ou tecer considerações falsas sobre a relevância de valores que me são demasiado caros como a liberdade.

    Eu não tenho raiva absolutamente nenhuma, como aliás já o referi.

    Peço-te é que da próxima vez que queiras lavar roupa suja em público me contactes via email (que o tens da lista do Prt.Sc ou do meu blog) ou por telefone se assim o achares justificável. O meu comentário foi totalmente desprovido de conteúdo pessoal (até porque não tenho nada contra ti), mas já não se pode dizer o mesmo do teu…

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  6. Caro Mário,

    Antes demais, foi o teu comentário que despoletou a minha resposta, que como sabes fez uso apenas, nota bem, apenas de informação que é pública. Pelo que a tua expressão “roupa suja” em público não se aplica. Se tu tens liberdade para me interpelares, eu tenho também liberdade de te responder.

    Eu não tenho problema nenhum com pessoas que festejam o 25 de Novembro e não é a essas pessoas que dirijo a minha crítica, a qual tenho toda a liberdade de a fazer.

    A minha crítica é dirigida àquelas pessoas que festejam o 25 de Novembro… no 25 de Abril. Repara, Mário, que me dei ao trabalho de ir ao teu blog, por alturas de Novembro, ver se o festejaste e não vi nada.

    Qualquer pessoa pode festejar uma data em qualquer altura, a “coincidência” de festejar o 25 de Novembro no 25 de Abril, é indicativo de uma minimização deste último, apanágio dos críticos da esquerda.

    Este grupo tem consciência da importância do 25 de Abril, mas ao mesmo tempo parece ter um problema com esta data. Será que vos (já que te incluíste neste grupo) é difícil admitir que a esquerda teve um papel mais preponderante do que a direita? É por isso que cada vez que se fala em 25 de Abril, estas pessoas falam no 25 de Novembro, sendo que em Novembro não falam de nenhum 25?
    Isto não te parece estranho?

    Não li a biografia do Cunhal: a enciclopédia que consultei, por mero acaso, embora não escrita, foi organizada por uma pessoa de direita.

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  7. Se tu tens liberdade para me interpelares, eu tenho também liberdade de te responder.

    Correcto, mas tu adicionaste algum teor pessoal que era desnecessário.

    A minha crítica é dirigida àquelas pessoas que festejam o 25 de Novembro… no 25 de Abril.

    O 25 de Abril não é a vitória da esquerda sobre a direita do fascimo. É a libertação de Portugal. Tal como o 25 de Novembro foi outra libertação, neste caso mais ténue, visto que preveniu uma nova ditadura que estava a tentar ser implantada durante o verão.

    Não acho suficientemente relevante comemorar um dia por algo que poderia eventualmente vir a acontecer mas que não chegou a acontecer. Mas no Dia da Liberdade é sempre bom relembrar dessas tentativas e daí a comemoração simultânea do dia 25 de Novembro.

    É o princípio da liberdade, e esse não existe em nenhuma ditadura, de esquerda ou de direita.

    Este grupo tem consciência da importância do 25 de Abril, mas ao mesmo tempo parece ter um problema com esta data. Será que vos (já que te incluíste neste grupo) é difícil admitir que a esquerda teve um papel mais preponderante do que a direita?

    Eu acho é que a esquerda tem a mania que o 25 de Abril é só deles.

    Primeiro, eu sou de centro. Muitos dos meus ideais são de esquerda (nomeadamente a existência de um estado social e de algum sistema público em alguns aparelhos estratégicos) e muitos outros são de direita (liberalização do mercado, meritocracia individual, privatização de sectores não fundamentais, etc..). Portanto, isso não contempla minimamente.

    Segundo, quanto à esquerda ter tido um papel mais relevante que a direita é compreensível não? Quem derrubou a URSS? Os revolucionários bolcheviques ou os contra-revolucionários de centro/direita?

    O que a mim também me incomoda é de a esquerda tentar fazer do 25 de Abril o seu dia, quando é o Dia da Liberdade *para todos*. E Liberdade é hoje e amanhã. Não é até ao próximo dia 25 de Novembro. E isso também eu comemoro.

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  8. Qual teor pessoal desnecessário?
    Deixa-me lembrar-te que quem começou com a “pessoalização” da matéria foste tu ao acusares-me de ser uma pessoa para a qual a liberdade e a diferença é “totalmente irrelevante”. Não poderias ser mais pessoal, nem mais injusto.

    Não vejo a esquerda a querer o 25 de Abril só para si, como pareces pensar. Vejo algumas pessoas de esquerda a viverem mais intensamente este dia, mas admito que por terem passado por situações muito difíceis para que ele possa ter acontecido.

    Mas o meu ponto não é este. O meu ponto é: não achas relevante relembrar/celebrar o 25 de Novembro a 25 de Novembro, mas já achas relevante fazê-lo a 25 de Abril?!

    (não é para responderes, a pergunta é meramente retórica… )

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