Take Off 2008

O Take Off 2008 teve lugar no sábado passado, uma vez mais no auditório do DEI. Antes demais, os meus parabéns à organização, já que no geral foi um excelente evento.

Já várias pessoas escreveram sobre o assunto, de forma que vou deixar aqui algumas notas de reflexão que me surgiram, sobre a primeira apresentação:

Uma das coisas que mais me impressionou foi ter notado alguma antipatia por aquilo que se chama incubadora de empresas, o que me faz pensar que houve pessoas com experiências negativas. Se o leitor é uma delas e se tiver um tempinho, agradecia que colocasse nos comentários a sua opinião.

A primeira parte da primeira apresentação não foi de uma incubadora, mas sim do Laboratório de Informática e Sistemas do Instituto Pedro Nunes, que pode funcionar como pré-incubação, termo que talvez tenha estado na origem de alguma confusão.

Um aluno de final de curso que tenha uma ideia interessante pode ter, para desenvolver a sua ideia, no LIS:

  • uma bolsa mensal;
  • um espaço físico;
  • internet;
  • material;
  • uma imagem;
  • um contacto institucional;
  • contactos com pessoas que criaram a sua própria empresa;
  • contactos que lhe possibilitem arranjar clientes.

Quando e se, o aluno tiver um projecto para um cliente, o LIS fica com 30%. Ora, tendo em conta que o aluno não precisa de criar uma empresa, que pode experimentar se a sua ideia tem aceitação no mercado, sem correr qualquer risco, porque te parece mau negócio, Vítor? Ou porque te custa a perceber, Mário?

Eu admito que não conheço muito bem o panorama nacional, nesta área, embora num intervalo do Take Off tenha falado com alguém, do qual não fiquei com o contacto, sobre o facto de existir algo semelhante na Universidade do Porto, a que chamam Empresa Junior, embora no caso da UP seja algo dentro da Universidade, enquanto que o IPN é uma instituição com autonomia.

Mas quantas instituições conhecem vocês que façam isto?

Passado algum tempo, o aluno ou recém-licenciado vê se a sua ideia está em condições de originar uma startup ou não. No segundo caso, não perdeu nada e até tentou. No primeiro caso, o aluno pode passar então, se quiser, à incubadora, onde aí terá ao seu dispor serviços que o possam ajudar a criar a sua empresa, desde o plano de negócios, passando por questões legais e éticas, propriedade intelectual, tipos de investimento a que se pode candidatar ou conseguir, etc.

Uma outra observação na qual fiquei a pensar, foi aquela que alguém mencionou que essas coisas como o plano de negócios podem ser aprendidas nos livros. Teoricamente tudo pode ser aprendido nos livros, mas a verdade é que se tivermos ao nosso lado pessoas com experiência nessas áreas torna-se tudo mais fácil e rápido (até porque as coisas variam de país para país).

Como já afirmei, não conheço a realidade das incubadoras em Portugal, mas do pouco que ainda conheço da incubadora do IPN (agora sim, falod a Incubadora e não do LIS) parece-me um serviço bastante importante, ajudando em todas as questões burocráticas e físicas.

Ajudas com investimentos, plano de negócios, candidaturas, capital de risco, ambiente onde se pode contactar outras pessoas com empresas já criadas ou em criação, parecem-me os serviços essenciais.

Em que outras questões poderia uam incubadora ajudar? Porque como a apresentação do Mário Valente deu a entender muito bem, podemos falar de experiências de outras pessoas, mas o empreendedorismo não se ensina. É possível ajudar em vários passos do processo, mas (até por definição) no resto cabe ao empreendedor mexer-se🙂

Por isso é que é empreendedor, avança por caminhos que não foram trilhados antes🙂

Deixava aqui o repto aos leitores:

  • Que más experiências tiveram com incubadoras e porquê (não precisam mencionar os nomes)?
  • Que esperam de uma incubadora e que tipo de serviços/apoios gostariam de ver numa incubadora?
  • Conhecem outras instituições que façam pré-incubação? Em que moldes?

3 thoughts on “Take Off 2008

  1. vd says:

    Quando e se, o aluno tiver um projecto para um cliente, o LIS fica com 30%.
    30% da facturação! Imagina que tenho um projecto de 100 mil euros de facturação e outros 100 mil euros de despesa. Profit = Zero. O LIS quer os seus 30.000€ dos 100m€ facturados e não sobre os lucros. Parece-me tremendamente desporpocional, para ter um espaço e nenhuma ajuda no negócio.

    Ora, tendo em conta que o aluno não precisa de criar uma empresa, que pode experimentar se a sua ideia tem aceitação no mercado, sem correr qualquer risco,
    Tipica politica do ‘convering ass”. Fazer as coisas sem riscos é bonito, desde que em troca se dê a alma. Agora, para que perder a alma com o homem da barca, qd se pode perder com o demónio. Eu sei, o risco é bonito mas é quando os outros o assumem.

    No segundo caso, não perdeu nada e até tentou.
    No exemplo que dei, perdeu 30.000€, porque a empresa não deu lucro, no entando o LIS ficou-lhe logo com os 30%.

    Teoricamente tudo pode ser aprendido nos livros, mas a verdade é que se tivermos ao nosso lado pessoas com experiência nessas áreas torna-se tudo mais fácil e rápido (até porque as coisas variam de país para país).
    Get a mentor. Fui o único a referir isso.

    podemos falar de experiências de outras pessoas, mas o empreendedorismo não se ensina
    Walk the walk VS talk the talk.

    Que esperam de uma incubadora e que tipo de serviços/apoios gostariam de ver numa incubadora?
    Todas as incubadoras nacionais estão desajustadas e erradas. Isto leva a uma grande discussão, mas o exemplo pode ser encontrado nas recentes iniciativas do YCombinator, SeedCamp, etc.

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  2. Ouve, mas que despesa? No LIS, tu não és uma empresa, és um gajo a quem são dadas condições para trabalhar nas tuas ideias (em que o IPN acredita).
    Tipo, do que eu percebi, é como se o LIS fosse a empresa, se precisas de um componente ou de uma máquina fazes uma requisição ao LIS, que se for precisa para o projecto avançar é comprada pelo LIS.
    O contrato com o cliente é feito com o LIS. Na verdade, a tua única “chatice” é a tua dedicação a projectos que gostas.
    Que mais ajuda no negócio queres? De que ajuda falas?
    Se chegas a uma altura em que achas que já podes voar por ti próprio, podes então passar à Incubadora, mas aí segues o processo de incubação que nada tem a ver com o LIS ou com os 30%🙂

    Risco:
    Não preferes poder testar a tua ideia sem risco? Tipo, se chegas a uma altura em que tens clientes e achas que tens hipótese, podes sempre (e é aconselhável que o faças) criar a tua própria startup.
    Ou és da opinião que é preferível criá-la logo sem período de teste? Já agora, se for este o caso, porquê?

    Perdas:
    Não perdeu nada. Não és uma empresa. O teu investimento é a tua dedicação (a projectos que te são gratos). Não investes dinheiro.

    Vou ver os exemplos que dás, mas o meu ponto aqui é que, segundo o que percebi, o LIS NÃO é uma incubadora. Esse é o passo seguinte.

    Vou ver se retiro mais info sobre isto.

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  3. VD: O IPNlis dá-te uma bolsa ou um contrato para poderes fazer o que quiseres, a troco de nada. Se conseguires arranjar um cliente para o teu projecto, o cliente é do LIS, mas ainda ficas com 70%. Normalmente esses 70% são usados para o projecto e para continuar a financiar a bolsa/o contrato (talvez arranjar mais pessoal para o projecto, também com bolsas ou contratos). E quando quiseres “saltar” (seja para criar startup e seguir o teu projecto, ou para outra coisa qualquer), a ideia é tua, o projecto é teu, 100% da empresa é tua, os clientes são teus, o negócio é teu, o lucro também. Isto é “pré-incubação”, muito diferente dos casos de incubação a que te referes.

    Pegando nos teus exemplos…

    30% da facturação! Imagina que tenho um projecto de 100 mil euros de facturação e outros 100 mil euros de despesa. Profit = Zero. O LIS quer os seus 30.000€ dos 100m€ facturados e não sobre os lucros. Parece-me tremendamente desporpocional, para ter um espaço e nenhuma ajuda no negócio.

    Se tens um projecto no LIS, tens um “salário” (bolsa ou contrato). Tu ou o LIS arranjam um cliente para esse projecto do LUS, o LIS faz 100K de facturação e injecta 70K para o teu projecto. Profit? Continuas com o teu projecto, o teu salário, e mais 70K de budget no teu projecto. Se calhar esses 70K vão-te ser úteis se quiseres passar à fase de criação de uma startup (através de incubação ou não). Ah, e o IPN não só te deu um salário como espaço e ajuda no negócio (incluindo, muitas vezes, arranjar-te clientes).

    Fazer as coisas sem riscos é bonito, desde que em troca se dê a alma.

    O que me agrada no IPNLis é exactamente o facto de tu não dares a alma em troca. As coisas não são “sem riscos”. Mas aquele período em que ainda estás a desenvolver as tuas ideias, a desenvolver os teus produtos, todo o trabalho necessário para depois teres algo para o qual poderás ter clientes, em vez de estares “a viver do ar”, e a trabalhar sem condições, estás a viver com um salário e a trabalhar com condições.

    No exemplo que dei, perdeu 30.000€, porque a empresa não deu lucro, no entando o LIS ficou-lhe logo com os 30%.

    Nesta fase não tens empresa, nem lucro, nem perdas. Tens o teu salário e o teu projecto.

    PS – Tudo isto é baseado no que eu entendo do papel do IPNLis, por conversas com pessoas que têm lá os seus projectos. Posso estar a cometer incorrecções.

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