Caso de estudo: software livre na escola

Foi no site da Associação Ensino Livre que encontrei a exemplar experiência da Escola Dr. Mário Sacramento. O estudo está disponível no site da Associação. Parabéns a esta escola!

Gostaria de registar aqui as opiniões de um grupo de alunos do 10º ano, que podem ser lidas no estudo conduzido pelo Professor Sérgio Ramos, porque elas demonstram um pouco aquilo em que acredito, que um aluno pode ter orgulho em não piratear software e que os professores têm um papel fulcral nessa formação:

“Nem todos têm o privilégio de trabalhar com
o Linux e o OpenOffice. Estas ferramentas são
importantes para o nosso futuro,
principalmente porque somos capazes de
trabalhar com vários sistemas operativos. Eu
gostei de trabalhar com este software e esta foi
uma nova experiência.”

“Ao contrário do Linux, o sistema Windows é
obtido por compra ou por pirataria. Se não
querem passar três anos na prisão, escolham o
Linux, ou então gastem do vosso salário
mensal para pagar uma coisa que se podia
obter de graça.”

“O OpenOffice é um pacote prático e simples,
comparável ao Office da Microsoft, com a
vantagem de ser livre. O Calc, por exemplo, é
quase a mesma coisa do que o Excel. É uma
boa aplicação.”

“Para além de serem muito bons, estes
programas e o Linux são gratuitos.”

“Colegas, aprendam a usar software livre, vai
ser importante no vosso futuro!”

“Este sistema e todos os programas que
temos vindo a usar são livres, por isso
combatemos a pirataria e conhecemos
programas que a evitam.”

“A sociedade devia poupar dinheiro e
aderir ao software livre, como o
OpenOffice e o Linux.”

“Ao princípio, este software era um grande
ponto de interrogação, mas depois do
trabalho que fizemos, agora considero­o
útil, necessário e importante para as
nossas aplicações diárias. Resumindo, esta
foi uma surpresa agradável e
enriquecedora.”

6 thoughts on “Caso de estudo: software livre na escola

  1. Tiago says:

    Que conjunto de afirmações tão superficiais! Será que não é possível dotar os alunos de algum sentido crítico em vez de os “convencer” de um conjunto de generalidades frágeis e pouco acertadas ?

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  2. Primeiro ponto: alunos do 10º ano que tiveram contacto com Linux pela primeira vez. Obviamente, não é de esperar que as opiniões sejam muito profundas. Um ano de aprendizagem num OS é quase nada.

    Segundo ponto: Não percebo o que leva o sr Tiago a comentar. Se não tinha nada para dizer, mais valia estar calado. É muito fácil atirar ao ar um “conjunto de generalidades frágeis e pouco acertadas”. Já não é correcto da sua parte fazê-lo sem especificar que conjunto é esse. Se não o fizer, o seu comentário será riscado.
    A coisa começa a ficar tão ridícula que a partir de agora comentários que não contribuam para o aumento do conhecimento ou da discussão (com argumentos justificados) passarão a ser riscados.

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  3. Tiago says:

    “Diz-me o que quero ouvir ou serás riscado.” É uma linha editorial.

    Indo ao assunto:

    “Ao contrário do Linux, o sistema Windows é
    obtido por compra ou por pirataria. Se não
    querem passar três anos na prisão, escolham o
    Linux, ou então gastem do vosso salário
    mensal para pagar uma coisa que se podia
    obter de graça.”

    – O Linux também pode ser comprado, tal como o Windows.
    – Pirataria é crime, não faz sentido vulgarizar a pirataria enumerando-a numa lista de “formas de obter o Windows” !?!
    – O Linux não é a mesma “coisa” que o Windows, tem vantagens mas também tem muitas limitações. Seria interessante dotar os alunos de alguma sensibilidade para a questão. Como lhes responder à questão – “então porque é que 90% dos PC domésticos usam Windows?”
    – O Linux tem custos, seria interessante enumerá-los.

    “A sociedade devia poupar dinheiro e
    aderir ao software livre, como o
    OpenOffice e o Linux.””

    – A poupança pode não ser assim tão evidente. Há necessidades de formação que é necessário considerar. Utilizadores habituados ao Windows iriam necessitar de um período de formação (=custos).
    – Ferramentas especializadas deixariam de ter suporte ?!

    Muito mais haveria a dizer.

    PS: Uso Linux no dia a dia (!). Comentei porque me incomoda muito a falta de profundidade e de sentido crítico com que se educam as crianças de hoje. Em vez de darem o peixe, ensinem antes a pescar.

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  4. Não, não é uma linha editorial. O teu comentário sem especificares é apenas um comentário mais ou menos ofensivo. Tenho sérias dúvidas que estes comentários tenham sido “induzidos” pelos professores como pareces dar a entender.

    Passamos agora à discussão efectiva:

    “O Linux também pode ser comprado, tal como o Windows.”

    É um facto. Mas a maior parte das distribuições de linux são gratuitas. Já não podes dizer o mesmo do windows. Não tens nenhum windows gratuito.
    Suponho que não haja discordâncias aqui? (lembra-te que estamos a falar de alunos do 10º ano que estão a utilizar linux pela primeira vez)

    “- Pirataria é crime, não faz sentido vulgarizar a pirataria enumerando-a numa lista de “formas de obter o Windows” !?!”

    Faz e devo dizer-te que me apraz imenso ver estes alunos a comentarem isto. Não sei qual é a tua experiência de vida, mas é muito fácil encontrares alunos a piratearem software, mais ainda te digo é muito fácil encontrares o professor a dar o cd do os ou do programa crackado ao aluno. Muitas vezes camuflado por “ah a instituição não tem dinheiro e tal e é para uma situação académica e tal” – continua a ser pirataria e continua a ser ilegal.
    Pirataria é crime, mas não é por isso que ela não existe. Ela existe e em grande escala, muitas vezes sem que os alunos sejam advertidos para o facto de ser errado: já vês o tipo de mensagem que um professor dá no exemplo que te dei acima.

    “O Linux não é a mesma “coisa” que o Windows”
    O que estes alunos descobriram é que, no seu caso, um sistema linux serve os objectivos. Todas as coisas têm aspectos negativos e positivos. E certamente estes alunos viram alguns aspectos negativos do linux, no entanto quando lhes pedem um comentário eles falam naquilo que mais os entusiasmou e chamou a atenção.

    “então porque é que 90% dos PC domésticos usam Windows?”
    Talvez porque é quase obrigatório, se pensares que quando compras um computador, quase sempre és obrigado a comprar o windows. De onde, é muito natural que uma pessoa que não tem conhecimentos informáticos comece a usar o sistema que vem no computador😛
    Se viesse uma distro de linux, as pessoas usavam linux. seria esta a explicação que lhes darias?
    Repara, penso que estes alunos tiveram um ano a trabalhar com linux, seria certamente interessante terem umas aulinhas de acordos que a microsoft faz com marcas de pc, mas parece-me que esperas demasiado para um ano de trabalho. Mais uma vez estamos a falar de idades que correspondem ao 10º ano.

    “- O Linux tem custos, seria interessante enumerá-los.”
    O windows tem muito mais custos, muito mais. é possível teres uma máquina com linux de forma gratuita, já não podes dizer o mesmo de uma máquina windows. concordo que aos alunos devem ser explicitados custos do linux quando os há, mas a comparação com os custos do windows tem uma diferença tão grande que não me choca que numa fase inicial um aluno pense que pode ter uma máquina com linux sem custos, porque efectivamente pode.

    “- A poupança pode não ser assim tão evidente. Há necessidades de formação que é necessário considerar. Utilizadores habituados ao Windows iriam necessitar de um período de formação (=custos).”

    Como facilmente percebes isto não é argumento. Mesmo os utilizadores habituados ao windows (e já não conto a formação que tiveram) têm de ter novas formações, basta pensares quando surge uma aplicação para o windows com novas funcionalidades, ex: office 2007.
    A poupança nos sistemas de software livre, a grande poupança está nos milhares e milhares de euros das licenças proprietárias. O windows, como o linux não dispensa gastos de formação, nem de técnicos que assegurem a infraestrutura informática, mas estes valores comparados com as licenças não são assim tão elevados.

    “Comentei porque me incomoda muito a falta de profundidade e de sentido crítico com que se educam as crianças de hoje. Em vez de darem o peixe, ensinem antes a pescar.”

    Sim, a mim isto também me incomoda imenso. É por isso que saúdo esta escola, por ter dado a possibilidade aos alunos de experimentarem alternativas.
    E se pensares que tens casos de professores que se recusam a aceitar trabalhos no openoffice, parece-me ainda mais fantástico.
    Não compreendo a tua insurjeição a este post porque, como vês à tua volta, a prática é ensinar os alunos a trabalharem no windows como se este fosse a sua única alternativa. Se fizeres um inquérito aos alunos que utilizam windows neste país, certamente eles não vão responder enumerando as vantagens em relação ao linux ou ao OSX. Eles vão dizer que é aquilo que lhes dão na escola.
    Que haja uma escola que lhes apresenta outras alternativas não é falta de profundidade e sentido crítico, como pareces insinuar, é abrir os olhos dos alunos, mostrar-lhes que há outras coisas para além de. Uns irão certamente continuar a preferir o windows, outros acharão que é preferível linux.
    certamente que não foram cobertos todos os aspectos do linux, mas nos casos de escolas que usam windows também os aspectos deste OS não são todos cobertos.

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  5. Tiago says:

    Apenas um apontamento importante – os custos de aquisição diluem-se no tempo. Não são determinantes para uma decisão. A manutenção a prazo é que é a chave. A rede de apoio (“suporte”) da Microsoft é determinante neste caso. Uma solução Linux tem muitos custos envolvidos que não são imediatamente evidentes para quem adopta.

    PS: A iniciativa da escola é de louvar, sem dúvida! Parabéns aos envolvidos. No entanto, mesmo quando as coisas acontecem como achamos bem, não devemos deixar de apontar as falhas e aspirar a ainda melhores formações😉

    PPS: Peço desculpa se o comentário inicial passou como “ofensivo”. Não era a intenção. Era irritado mas não ofensivo😉

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  6. João Pereira says:

    Eu uso linux… e não vejo assim tanta dificuldade na sua utilização
    A formação que se dá é toda baseada na “Microsofre”
    é tudo uma forma de se manter dependente…
    O OpenOffice é compatível com o MSoffice…
    Mas como somos um país rico, temos muito dinheiro para esbanjar assinamos acordos com o sr. Bill Gates.
    Tenho dito

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