Centro Comercial Vasco da Gama: código de conduta

Este fim-de-semana dei por mim a reparar numa folha de papel colada no vidro de uma porta do Centro Comercial VAsco da Gama, em frente à Estação do Oriente.

Entre outras especificações chamou-me a atenção aquela que dizia ser proibido entrar descalço ou de tronco nú, no referido centro comercial. Não é assim tão curioso? Não, o mais curioso era o que se seguia na frase. Parece que não é permitido entrar no Vasco da Gama com “vestuário desadequado ou agressivo”.

O que será “vestuário desadequado”? Se eu decidir ir às compras de fato de treino, poderei ser considerada como estando desaquadamente vestida? Que tipo de vestuário é adequado a um Centro Comercial?

E mais ainda me pergunto, o que será “vestuário agressivo”. Desde quando é que o vestuário agride?

A propósito, nesse código de conduta dizia ainda que é proibido abandonar malas ou sacos. Será que há pessoas que gostam de abandonar as suas malas? Ou pelo facto de eles dizerem que é proibido, podem sentir-se livres para pensar que foi de propósito?

27 thoughts on “Centro Comercial Vasco da Gama: código de conduta

  1. Nuno says:

    Ola,

    Vesturário agressivo é aquilo que os membros de gangs usam.
    inclui mas não está restrito a usar capuzes que tapam a cara do sujeito, símbolos que identifiquem o gang, imagens impróprias estampadas ou escritas na roupa.

    Na minha modesta opinião, quando alguem entra num estabelecimento comercial vestido de gangster/assaltante de bancos, deverá ser convidado a descobrir a cara. No caso de recusa dever-se-á tratar o sujeito como suspeito até chegada da polícia/segurança.

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  2. Nuno: Não será isso “não é permitida a entrada com capacetes, capuzes ou outra forma de encobrimento da cara”? É que chamar a isso vestuário agressivo…

    Como é que se identifica um membro de um gang pela sua roupa? O que é uma “imagem imprópria”?

    Como é “estar vestido de gangster/assaltante de bancos”?

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  3. Andre Medeiros says:

    O engraçado é ninguem ter comentado o “abandono de malas”. Creio que tu, como a pessoa inteligente que és, deverás perceber o porquê disto.

    Vá, até te dou uma pista: um centro comercial é por norma uma zona fechada com uma grande concentração de pessoas😛

    Talvez tenham emitido esse aviso para terem a segurança de poderem, legalmente, “livrar-se” de alguma mala abandonada.

    Agora, quanto à roupa… lá que é estranho, é…

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  4. Nuno says:

    Mind Booster Noori: um dia que passes por Londres contacta-me e eu levo-te a fazer uma visita de estudo. Ficas a perceber as tendências da moda gangster em menos de meia hora e depois ficas livre para as verdadeiras atracções turísticas desta cidade.

    Não fui eu que escrevi o texto que a Paula encontrou mas o seu sentido é claro e compreensível. Escrever apenas “reservado o direito de admissão” dá azo a discussões entre gandulos e seguranças que nada beneficiam o ambiente vivido no centro comercial. Escrever “proibida a entrada com capacetes/etc.” não evita o problema acima descrito quando o sujeito aparenta ser um gangster mas aceitou descobrir a cara. Escrever regulamentos não é fácil e em torno do CC Vasco da Gama há muita gente capaz de causar problemas. Mete conversa com os seguranças de lá e eles vão ter muitas histórias para te contar. Tenta chegar à fala com os da Sportzone quando eles estiverem a fazer uma pausa.

    PS: Antes da visita a Londres põe-te em boa forma física porque pode ser preciso dar umas corridas😉

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  5. André: claro, eu digo isso mesmo no post. O que eles estão a dizer é “a partir do momento em que colocamos este código de conduta, se você pousar a mala e se esquecer dela não vai poder refilar se nós a fizermos desaparecer”.
    É claro que é ridículo alguém dizer “é proibido abandonar uma mala” porque ninguém abandona malas por querer, a não ser nos casos já conhecidos de terrorismo, mas aí não vale de muito colocar no código de conduta “é proibido abandonar a mala” pois não?😀

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  6. Não me parece que se refiram ao encobrimento da cara, já que mencionaram os pés descalços e o tronco nú.
    Efectivamente, o que se passa aqui é uma forma de se desculpabilizarem para o caso de atirarem primeiro e perguntarem depois.
    E isso é mau.
    Escrever vestuário desadequado e agressivo não resolve problema nenhum e levanta outros. Se eu entrar lá de fato de treino e me colocarem de lá para fora, nem posso refilar, basta eles dizerem que eu não estou com vestuário adequado para um CC, mas sim para um ginásio.
    Mesmo pensando num tal gangster feio e mau, choca-me pensar que alguém pode ser barrado num CC pela sua aparência.

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  7. Andre Medeiros says:

    paula: Pode ser que o terrorista que lá vá deixar a mala, dê meia volta por causa das regras😛

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  8. Nuno says:

    Paula: um centor comercial não é uma via pública. é um estabelecimento comercial que pode ter restrições, “regras da casa”. Se te afligem os potenciais abusos e que estas regras sejam uma discriminação (mal) encapotada, fazes as tuas compras noutro lado. Ainda assim surpreende-me que não percebam imediatamente qual o objectivo e qual o público não-pagante que o Belmiro não quer ver a intimidar os seus fregueses…

    http://www.bbc.co.uk/birmingham/content/articles/2007/10/01/hoodie_clothing_feature.shtml

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  9. Marco Pedroso says:

    A propósito, nesse código de conduta dizia ainda que é proibido abandonar malas ou sacos. Será que há pessoas que gostam de abandonar as suas malas? Ou pelo facto de eles dizerem que é proibido, podem sentir-se livres para pensar que foi de propósito?

    Nunca foste a um aeroporto internacional pois não ?

    Mesmo pensando num tal gangster feio e mau, choca-me pensar que alguém pode ser barrado num CC pela sua aparência.
    Eu digo mais… nem devia ser limitado a CCs, devia ser mesmo de andar na rua.

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  10. Eu compreendo as restrições, mas na minha opinião elas não resolvem problema nenhum. É que a aparência não diz nada sobre uma pessoa, ao contrário dos (pre)conceitos vigentes.
    Estas regras só fazem com que seja muito mais fácil disparar primeiro e perguntar depois.
    É a mesma coisa dos aeroportos: se dás uma corrida para apanhar um avião estás sujeito a levar um tiro. E ainda têm a lata de dizer depois que foi de forma legítima.
    A reserva do direito de admissão deve estar relacionada com comportamentos e não relacionada com “ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”. Se uma pessoa se encontra em estado de embriaguez ou se está a fazer distúrbios, por exemplo. Se alguém entra num CC e tem um comportamento suspeito não me choca que seja seguida pelas câmaras ou que os seguranças lhe dediquem especial atenção.
    Já me parece abusivo se isso acontecer porque alguém está vestido de determinada maneira. Mas isto é apenas uma opinião minha. Noto cada vez mais a aprovação de falta de tolerância.
    Não faço ideia o que o André quer dizer com a minha passagem por aeroportos, mas posso dizer que no último ano estive em cerca de 3 ou 4 internacionais mais 2 de vôos domésticos.
    Além disso o meu ponto aqui é que aquela pessoa que nos parece estar vestida de acordo com a _nossa ideia de vestuário de um gangster feio e mau_ pode não ser um gangster feio e mau😛

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  11. Nuno: Acho que não entendeste o meu ponto. O meu ponto é que não há maneira de distingir um gangster pela sua forma de vestir. Existem é preconceitos e discriminação. Conheço pessoas que já foram discriminadas por estarem todas vestidas de preto. Conheço pessoas discriminadas porque tinham uma t-shirt com a palavra “cunt”. Conheço pessoas discriminadas por terem cabelo comprido – eu já fui discriminado por ter cabelo comprido. No fundo, é possível que, para que discriminou, nós estivessemos “vestidos à gangster”. O que eu queria mesmo era saber o que é “estar vestido de forma desadequada”, e quem é que, neste país em que as pessoas não são teoricamente discriminadas por “ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”, pode discriminar uma lista do que pode ser considerado “vestuário desadequado”.

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  12. Puro Lusitano says:

    Adoro, quando pessoas inteligentes se fazem desentendidas! Todos quantos aqui vieram “mostrar” a sua incompreensão, perceberam muito bem o alcance de certas “restrições”.
    Quem gostaria de ver, por exemplo, mesmo em época de Carnaval, um grupo de mascarados entrar pela sua casa dentro? Mesmo no tempo da “outra senhora”, que havia a mania dos “assaltos” (a malta nova não sabe o que isto é, graças a Deus e a essas “pequenas restrições” familiares), ninguém gostava! E eram tempos pacíficos, quanto mais hoje, em que a ameaça é global!
    É tudo uma questão de princípios… e, muitas vezes, é preciso recorrer a restrições, para as pessoas se darem conta que estavam a incomodar outrem!
    Antigamente, por exemplo, um cavalheiro pedia sempre autorização para fumar num local público! Ahahah, dizem as jovens garotas do nosso país. Mas era assim: Dá-me licença que fume? Não se importa? O fumo incomoda? Etc… E, se algum(a) dos presentes torcia o nariz, metiam o maço no bolso e ainda pediam desculpa. Hoje, as moçinhas puxam do cigarro à frente de quem quer que esteja e sem se preocuparem com os outros desatam a soprar o fumo para cima dos outros e, até põem a mãozinha de lado para o fumo não as incomodar, mesmo que esteja a incomodar os outros… e, o que é que aconteceu? Restrições para a frente!
    É preciso que pensemos que aquelas normas não afectam os visitantes que, pacificamente, vão fazer compras a uma superfície comercial, por isso, nem temos que nos preocupar com elas! São para nossa segurança!!!
    Quanto aos outros… se calhar também não os queríamos nas nossas casas…
    Disse!
    Puro Lusitano

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  13. Puro Lusitano: quando estou com pessoas com as quais não tenho grande intimidade (e às vezes até com amigos que não fumam) peço autorização para acender o cigarro! E se alguém me disser que estou a incomodar (mesmo que eu esteja ao ar livre) apago ou mudo de sítio.
    O meu ponto é precisamente este: as aparências iludem.

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  14. Puro Lusitano says:

    – Gostavas que um bêbado andrajoso, esfarrapado e mal-cheiroso, se colocasse em frente à porta de tua casa e te impedisse de entrar?
    – Gostavas de chegar ao teu carro e o encontrar todo riscado ou com os pneus furados?
    – Gostavas que te telefonassem de 5 em 5 minutos mesmo que não te dissessem nada?
    – Gostavas de ver um embrulho, que sabias não ser teu, dentro do teu carro, quando fosses abrir a porta?
    – Gostavas que um desconhecido metesse conversa com o teu filho, de 10 anos ou menos, na rua? O que farias? Não lhe perguntavas logo o que o estranho queria? Ou deixavas por isso mesmo?
    – Gostavas de ir na rua com o teu marido e uma mulher desconhecida lhe começasse a atirar beijinhos?

    O que é que tu pensarias?
    1 – Porcaria de país! Será que o governo não faz nada?
    2 – Pago os meus impostos e a Polícia não se mexe!
    3 – Cada vez temos mais insegurança neste país!

    Pois, amiga, já viste a quantidade de “seguranças” que existe no Centro Comercial Vasco da Gama? Achas que isso seria preciso para alguma coisa se, realmente, “a coisa” não estivesse a piorar?
    Temos de dar graças a Deus, que alguém se preocupe com a nossa segurança para podermos fazer as nossas comprinhas em paz e sossego… por enquanto!
    Sabes que há países em que não podes sair para a rua com o teu relógio de pulso ou com o teu telemóvel, sem que haja logo alguém a pensar em tos tirar?

    Por favor, pensa nisso!
    Disse!
    Puro Lusitano

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  15. Meu caro Puro Lusitano, o sr ficou aborrecido por eu tomar os outros em consideração? Não compreendo o tom do seu comentário.
    Repare no que escreveu: tudo o que diz se refere a _comportamentos_. A minha estupefacção _não_ diz respeito a comportamentos como já disse, refere-se a modos de vestir!
    Os seus exemplos só me dão razão: concordo que o comportamento suspeito de uma pessoa possa ser alvo de atenção, mas o meu post refere-se ao vestuário!

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  16. Quem gostaria de ver, por exemplo, mesmo em época de Carnaval, um grupo de mascarados entrar pela sua casa dentro?

    Na minha em casa não entra ninguém que eu não queira, mascarado ou não. E daí, a minha casa não está aberta ao público.

    É tudo uma questão de princípios… e, muitas vezes, é preciso recorrer a restrições, para as pessoas se darem conta que estavam a incomodar outrem!

    A questão é mesmo “o que é vestuário impróprio”, ou que raio de vestuário “incomoda outrem”, e em que casos é que esse incómodo deve ou não ser permitido.

    É preciso que pensemos que aquelas normas não afectam os visitantes que, pacificamente, vão fazer compras a uma superfície comercial, por isso, nem temos que nos preocupar com elas! São para nossa segurança!!!

    Eu, como visitante, sinto-me incomodado pelo facto de entrar num sítio e estar dependente da opinião de outrem sobre se eu estou “vestido adequadamente” ou não para estar nesse sítio. A regra de vestuário não aumenta a minha segurança – pelo menos aparentemente – mas aumenta o meu desconforto.

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  17. Puro Lusitano says:

    As “aparências” iludem, eu sei! Mas são indício de alguma coisa. E isto é uma característica própria das mulheres: o sexto sentido!
    Donde pensas que vem essa dádiva da natureza que, infelizmente, o homem não tem? Quando a minha mulher me diz: “Hoje não quero lá ir, tenho um pressentimento…” pensas que eu discuto? Nem pensar! Porque achas que cada vez mais há mulheres em cargos de segurança? Pelo “sexto sentido”, coisa que o homem nunca terá!
    E, quer queiras quer não, o “sexto sentido” é um pacote onde se encaixa o preconceito, a ética, a moral e os bons costumes, o respeito pelo próximo, o medo, a segurança, a APARÊNCIA, etc…
    Não gostarias, decerto, que uma filha se casasse com um indivíduo feio; isto é, cuja beleza não estivesse de acordo com os teus padrões, sejam eles quais forem (isto é figurativo). Poderias dizer e isso que interessa? Claro que não interessa, a vida é dela! Mas, mesmo assim, nunca irias gostar! É o teu sexto sentido! É que, nos tempos que correm, “o hábito ainda faz o monge”, quer queiremos quer não. E, quem se veste de “anjo”, quer-se fazer passar por anjo. Senão, não precisava se mascarar.
    Sabes? Uma vez, tinha eu 12 anos, fui com os meus tios ao cinema à noite… não sabendo porquê vestiram-me uma gabardine comprida e lá fomos todos para o Royal… Quando chegámos a casa perguntei-lhes para que tinha sido a gabardine se não estava a chover… “Ó palerma, então não viste que a cowboiada era para maiores de 17 anos?”
    Disse!
    Puro Lusitano

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  18. Puro Lusitano says:

    Cara Paula,
    A conversa já vai longa, eu sei, e nem aqui vim por causa de nada do que aqui foi dito. Gosto de conversar e, por isso, entrei na conversa, mas estava a fazer pesquisa e entrei no teu site sem querer. Tens alguma coisa a ver com o poeta Simões Dias?
    Caso tenhas, por favor, entra em contacto comigo através do meu mail.
    Cumprimentos
    Puro Lusitano

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  19. Para o ver até me fecho
    No meu quarto com receio,
    Não venha alguém perguntar-me
    Donde este lenço me veio.

    A cismar neste bordado
    Não sei até no que penso;
    Os olhos trago – os já gastos
    De tanto olhar para o lenço.

    in José Simões Dias

    Este? Não, não tenho, só a coincidência do nome, mas ainda bem que aqui veio, que é mais um poeta a descobrir! Obrigada😀

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  20. Puro Lusitano says:

    É esse mesmo! O autor das Peninsulares (1844-1899).
    Obrigado e felicidades para o teu site.
    Vivaldo Quaresma

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  21. Puro Lusitano says:

    Ah “by the way”, para quem não saiba ou se esteja a “fazer de
    Lucas”, talvez eu possa esclarexer!
    Esta restrição tem um carácter transitório e refere-se unicamente à quadra que estamos a atravessar – o Carnaval!
    “Descalço ou de tronco nú…vestuário desadequado ou agressivo”, só pode ter a ver com “mulher pelada” ou “quase pelada”.
    Vestuário agressivo não tem nada tem a ver com roupa, mas sim com a falta dela. Tá exclarexido?
    Afinal quem não pensou nisto?
    Só fica triste… quem pensava ir para lá arregalar o olho e tirar umas fotografias-zinhas. Ahahah.
    Puro

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  22. Nuno says:

    MBN: «Nuno: Acho que não entendeste o meu ponto. O meu ponto é que não há maneira de distingir um gangster pela sua forma de vestir. Existem é preconceitos e discriminação.»

    Lamento MBN, estás enganado. os gangs de rua servem-se do vestuário como forma de identificação do gang. Não é 100% certo que alguém vestido de certa forma pertença à “tribo” que aparenta, mas asseguro-te que é um excelente indicador – o meu convite anterior mantém-se.

    A discriminação também é um problema, e nós como somos pessoas inteligentes e razoáveis gostaríamos de não provocar esse problema. Mas.. e o que é que acontece quando o bandido sabe desta boa intenção e se escuda nela para prosseguir no seu comportamento desviante e criminoso? pois é. é bom ser tolerante, mas não é bom tolerar o abuso/intolerância dos outros.

    Respondendo à tua questão de quem é que pode discriminar pessoas com base na roupa/mau aspecto num país onde não se pode discriminar com base na raça, credo, etc. , a resposta já foi dada: o Centro Comercial não é a via pública, é a casa do Belmiro, ele é que sabe quem quer lá deixar entrar. A menos que proves que a “discriminação” nas regras da casa do Belmiro são contrárias a uma lei, ele está no seu direito de restringir o acesso à casa dele.

    nota final: andar com “cona” escrito na t-shirt é ofensivo à moral e bons costumes, qualquer polícia poderia intervir nesse caso – não é discriminação mas sim corrigir um comportamento ofensivo por parte do detentor da tal roupa.

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  23. Mas.. e o que é que acontece quando o bandido sabe desta boa intenção e se escuda nela para prosseguir no seu comportamento desviante e criminoso?

    Mas… e o que é que acontece quando o bandido sabe que a regra é tomar a pessoa pelo vestuário? Será que uma pessoa que vai a um CC com o propósito de cometer um crime, vai vestida como uma pessoa que vai cometer um crime (o que quer que aches que seja uma pessoa vestida para cometer um crime)?

    E o que dizer daquele sem-abrigo, com o cabelo empastado, as roupas esfarrapadas e um cheiro terrível que passa na redacção para ir buscar o jornal, para colocar dentro das roupas à noite para se proteger do frio, mas que lê o jornal e sabe conversar sobre a actualidade? Ou o que dizer daquele senhor que foi mal-tratado numa loja de ferragens, porque quem o atendeu pensou que ele era um pedreiro, devido às roupas que trazia, mudando imediatamente de atitude quando se apercebeu que o sr era arqueólogo? Tenho demasiados exemplos destes.

    Sim, um CC não é uma via pública, mas está aberto ao público (não é a casa do Belmiro, nem é uma casa). A não discriminação presente na lei diz respeito a direitos fundamentais, que são universais, dentro ou fora de paredes. E ainda assim não penses que podes fazer tudo o que quiseres em tua casa.
    Para me explicar melhor dar-te-ei uma imagem: duas pessoas na sua casa em que uma agride fisicamente a outra. Não te passa pela cabeça dizer que esta pessoa pode ser uma agressora sem se ver a braços com a justiça, só porque está em casa dela, pois não?

    Reitero, é muito diferente teres uma pessoa com um comportamento suspeito de teres uma pessoa vestida de determinada maneira. Se concordo com a discriminação do primeiro, já não posso concordar com a discriminação do segundo.

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  24. Nuno says:

    Paula: os teus exemplos são muito poéticos mas não dão resposta ao problema: há indivíduos que optam por ter comportamentos criminosos porque sabem que tiram vantagem desse comportamento. Optam por ser criminosos, vestir-se como criminosos, e soar como criminosos (desconheço o sabor e o cheiro…). os exemplos de descriminação que dás são bons e estão consagrados na lei.. mas não se aplicam ao caso! O que o Belmiro faz ao estabelecer regras para o acesso aos serviços prestados no seu centro comercial não são contrários à lei!
    O CCVG simplesmente pretende defender-se daqueles que se suspeita (sabe) serem visitantes indesejados. O facto de usarem símbolos conhecidos e um estilo de vestir também conhecido torna as coisas mais fáceis. Se os gangsters todos resolvessem andar vestidos à paisana, podiam causar ainda mais dano porque seriam difíceis de detectar! Mas simplesmente não é assim que as coisas são, porque os gangsters optam pela “farda” para tomarem partido do factor intimidação.

    em última instância, e porque o estabelecimento é privado e pode ter as suas regras de utilização, tudo vai depender da posição do seu proprietário. perante um sujeito encapuçado e de óculos escuros depois do pôr do sol, se a Paula e o MindBoosterNoori vêem um rapaz cheio de estilo (possivelmente uma vítima da sociedade, que devia ser acarinhado e subsidiado), eu vejo um sujeito que prefere não ser reconhecido e que está a preparar alguma. O Belmiro vê alguém que piora o ambiente no seu estabelecimento e intimida os clientes.

    Para perceberem este meu pessimismo e falta de confiança na espécie humana ficam todos convidados a um tour dos subúrbios ao Sul de Londres… asseguro-vos que ficará tudo mais claro🙂

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  25. Optam por ser criminosos, vestir-se como criminosos, e soar como criminosos (desconheço o sabor e o cheiro…). os exemplos de descriminação que dás são bons e estão consagrados na lei.. mas não se aplicam ao caso!

    O meu argumento é tão simples como o facto de não existir tal coisa como “vestir-se como criminosos” ou “soar como criminosos”. A descriminação não só não se aplica ao caso, como você já demonstrou ter preconceitos e descriminar certo tipo de indumentárias e formas de falar.

    perante um sujeito encapuçado e de óculos escuros depois do pôr do sol, se a Paula e o MindBoosterNoori vêem um rapaz cheio de estilo (possivelmente uma vítima da sociedade, que devia ser acarinhado e subsidiado), eu vejo um sujeito que prefere não ser reconhecido e que está a preparar alguma. O Belmiro vê alguém que piora o ambiente no seu estabelecimento e intimida os clientes.

    Não infiras o que eu vejo. No fundo, perante um sujeito vestido, eu vejo um sujeito vestido. Não acredito em “indumentária imprópria” e não existe tal coisa como “indumentária agressiva”, a roupa não bate em ninguém.

    Você assume que o Belmiro vê isso. Eu diria que o Belmiro pouco tem a haver com aquelas regras, mas – seja lá quem tenha – tem como objectivo, creio, afastar problemas, o que nada tem de mal. Atribuir os problemas à forma das pessoas se vestirem, insinuar que existe indumentária própria para frequentar Centros Comerciais, e – mais grave – falar de roupa agressiva, aí sim, está o seu erro.

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  26. Nuno says:

    Caro MindBoosterNoori, vamos lá tentar não ser desagradáveis nem discordar só pelo gosto de discordar.
    CLARO que estou a inferir coisas daquilo que li no post da Paula ou das coisas que vejo, como todos fazemos. Isto por si só não é comportamento ilicitamente discriminatório!

    Ora vamos lá a ver… um sujeito vestido com esta roupa :

    é um homem vestido de castanho, ou é um homem que parece ser um monge? e uma senhora com esta roupa

    é uma senhora vestida de branco, ou alguém que parece ser uma enfermeira? temos dúvidas que a indumentária do indivíduo vai afectar as interacções com ele?
    porque é que um sujeito vestido de assaltante de bancos ou ao bom estilo “thug life” há de ter expectativas de neutralidade?

    “roupa agressiva” foi a melhor forma que o autor do regulamento arranjou para se explicar mas claro que o problema não é atribuído à roupa. O problema é zelar pela segurança num estabelecimento comercial com dezenas de milhares de visitantes, e tendo que fazer escolhas, actuar de acordo com uma expectativa (razoável!) que um sujeito que se veste de gansgster pode precisamente ser o que parece!

    é difícil por o politicamente correcto de lado por um instante e perceber que o regulamento do CCVG tem que ser abstracto mas praticável?

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