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Berlin

Não, o caro leitor não se assuste que não pretendo fazer um post por cada prenda de anos que receba, mas esta tem de ser. É daqueles livros que sempre que o via numa livraria pegava-lhe e já tinha mesmo ido ao website do livro (todos os livros deviam ter um website. Pronto, só os bons então :-) ). Estava na lista – e com os limites (ultrapassados ou não) as minhas listas começaram a ser muito mais selectivas: só o melhor. E este parecia-me fazer parte desse melhor. Afinal, dele alguém disse “O melhor policial do ano – e é tudo verdade. Agatha Christie, rói-te de inveja.”

Estranhamente, nunca me tinha apercebido da citação deliciosa numa das primeiras páginas:

Acaso estareis  sentir um ardor desconfortável na boca do estômago, senhor? E um forte latejar no cocuruto da cabeça? Ah, ainda não? Acabará por apoderar-se de vós [...] Eu chamo-lhe a febre do detective

The Moonstone (1868), Wilkie Collins, que já se encontra em domínio público.

Obrigada! :-)

book

Hoje faço anos. Muitos :-)

Para já é um dia de trabalho, mas não igual aos outros. O dia começou com música de Jacques Brel. O Marcos surpreendeu-me com o último disco vinyl de Brel, gravado em 1977, já com Brel muito debilitado.

Não tinha nada de Brel, mas costumava requisitar os CD na Fonoteca. Há pouco tempo, eu e o Marcos vimos alguns discos vinyl à venda na Fnac, parece-me. E eu disse-lhe que devia ser fabuloso ouvir Brel em vinyl. A primeira coisa que fiz foi verificar a editora: Universal.

Tirei logo o sentido dos discos. Não dou dinheiro a editoras que retiram os meus direitos. Ficaram lá. Comigo ficou a certeza de não poder ter um disco do Brel, mas ao mesmo tempo aquela sensação de fazer “the right thing”.

Assim, a surpresa foi ainda maior. O Marcos, depois de uma estafada procura, encontrou este vinyl, que saíu em 1983 pela editora Amiga, da antiga República Democrática Alemã.

Já tinha recebido um vinyl do Gershwin (que encontrou numa feira das velharias nos Jerónimos) e um rádio-gravador, com leitor de CD e Cassete, que começam a desaparecer. (sim, eu e o Marcos ainda compramos cassetes):

No último sábado, não resisti a levantar-me cedo para ir ao Avelar Machado buscar estes volumes, que já sabia que estavam lá pelo website daquele alfarrabista:

Pronto, agora o que precisava mesmo era de férias para aproveitar convenientemente todas estas coisas :-)

Uma das coisas que mais me agrada nesta cidade de Lisboa é esbarrar constantemente em locais com livros. Sejam as feiras onde se encontram às vezes verdadeiros achados – comprei recentemente “No Bosque do Espelho”, “O Gato de Uppsala” e dois policiais, cada um por cinco euros – sejam as feiras de livros usados, sejam os alfarrabistas onde de vez em quando descubro mais uma Vampiro Magazine ou as livrarias.

Quando digo livrarias, quero mesmo dizer livrarias. Daquelas a sério. Que cheiram a livrarias. Daquelas verdadeiras. Daquelas que não têm nada a ver com a Fnac.

Hoje – e finalmente – lá fui à consulta para mudar as lentes dos óculos, que estas já não fazem o seu serviço como deve ser e, enquanto esperávamos, o Marcos lembrou-me que estávamos perto de uma livraria deliciosa a que fomos uma vez: “Sabes, aquela onde conseguiste aquele livro, do qual só tinhas o segundo e terceiro volumes, “Os Sonâmbulos”".

Depois de alguma discussão, “Seria a Pó dos Livros?” – que eu sigo alguns blogs de livrarias que me parecem uma delícia, mas que por uma razão ou outra ainda não visitei. Não, no meio de uma conversa baralhada, lá chegámos à conclusão de que ele falava da Livraria Trama e que esta não era ali, mas com a ajuda do telemóvel lá fomos ao blog da livraria Pó dos Livros, para confirmar a morada e ver se ficava ali perto ou não. E, sim, ficava! :-)

Há alguns livros que se podem comprar em qualquer lado, mas outros há cujo acto de escolha e compra faz parte do gosto que lhes temos. Como se esse pré-tempo já fizesse parte da leitura que vamos fazer. “O Outro” de Kapuscinski é um desses livros. “Uma longa viagem com António Lobo Antunes” é outro.

Apesar de ter já ultrapassado o meu limite, não resisti a trazer esses dois. Ficou lá o “Caderno Afegão” – outro desses tais -, e outros, tantos outros, que é melhor não nomear e pensar neles depois, quando puder lá voltar.

Uma das primeiras coisas que pedi foi o cartão de cliente. Qualquer pessoa que veja este vídeo, não vai conseguir resistir a ir à Pó dos Livros e pedir o seu cartão de cliente. E agora que tenho o meu cartão de cliente, voltarei lá, sempre que puder comprar aqueles livros que merecem ser comprados em livrarias. Daquelas verdadeiras.

PS – Gostei tanto da livraria, com as suas estantes pretas, de onde nos surpreendem máquinas de escrever, relógios, rádios e outros objectos de tempos idos, paredes rôxas, gavetas que escondem livros e mesas forradas a livros antigos que mesmo sem cartão de cliente voltaria lá na primeira oportunidade. Mas shhh! não lhes digam nada ;-)