Daily Archives: July 16th, 2008

Hoje passei num instantinho pela biblioteca para requisitar um livro que o meu pai me pediu. Ao passar por aquelas estantes repletas de livros de fazer inveja, deparei-me com estes audiolivros do Expresso:

Primeiro não queria acreditar, depois peguei-lhes. Li na capa “Contos narrados por Fernando Alvim” e fiquei com a sensação de afinal não ser tão bom quanto esperava. Não pelo Fernando Alvim, claro, mas porque os livros que têm um actor/leitor para cada personagem tornam-se muito mais interessantes. Exemplos há para aí bastantes do tempo da rádio.

Requisitei e enquanto saía da biblioteca fui deitando o olho ao livro que acompanha o CD: fiquei furiosa.

Na página 23, última antes da ficha técnica, escreve-se

“De longos e murchos bigodes, Poirot é um homem baixo, com a cabeça em forma de pêra…”

Antes demais não só Poirot não tem bigodes murchos (Sacré! Sapristi!), como utiliza um produto (uma espécie de goma, se bem me lembro) para manter le moustache perfeitamente rígido.

Poder-se-ia pensar que é apenas um lapso, não fosse le moustache o orgulho e marca de Poirot, havendo mesmo um livro em que Poirot aposta o seu bigode contra o cachimbo de um detective da Suretê.

Além disso, a cabeça de Poirot não é em forma de pêra, mas sim de ovo. Não me parece que ambos sejam confundíveis, mas se tivermos em conta que, para o detective belga, só o facto dos ovos não serem todos do mesmo tamanho já lhe complicava os nervos e que tinha uma obsessão pela ordem e pelas formas geométricas, seria demasiado penoso vê-lo suportar uma cabeça em forma de pêra!

Foi assim que me passou a vontade de ouvir o AudioLivro.

Já me tinha queixado antes destas descrições que acompanham as colecções distribuídas pela imprensa. Começo a acreditar que os escolhem a dedo…

Pouco antes da Feira do Livro de Lisboa (sei que foi pouco antes, porque pouco tempo depois vi, na feira, o livro bem mais barato) eu e o Marcos comprámos o livro de Fernando Pessoa intitulado Lisboa o que o turista deve ver. Lembro-me que aterrámos n’A Brasileira a folhear o livro e que decidimos, um fim-de-semana em que tivéssemos mais tempo, percorrer Lisboa tendo por guia o livro de Pessoa, registando com fotografias e depois algum texto, no blog.

Hoje, através do meu FriendFeed, descobri que alguém fez um site que torna esta ideia bem mais fácil de realizar, criando uma versão interactiva do livro de Pessoa.

A entrada é por aqui.

Merci, Philippe Gambett