Daily Archives: July 6th, 2008

E eis mais um post atrasado. Todos ouvimos falar na “birra” da LEYA, para levar a sua avante, de ter,na feira do livro, as suas próprias barracas. Todos soubemos que a pressão da Câmara de Lisboa levou a que a LEYA levasse a sua avante.

Eu quero é agora falar-vos do resultado. Uma Feira do Livro deve ser uma festa do livro. Devo dizer que me agradam as barraquinhas tradicionais: os livros muitos juntinhos, que percorremos com o dedo, enfiarmos a cabeça de baixo do plástico, quando está a chover, olhar para as lombadas lá dentro e pedir para ver, aproveitar para falar com aquelas pessoas, cujo trabalho se desenrola perto dos livros, todo o ano, percorrer as barraquinhas de livros antigos, sob a torreira do sol e estendermo-nos na relva fresca, a apreciar a sombra e as aquisições.

Mas as barracas pouco importam, o que importa é descobrir livros e falar com quem está nas barraquinhas, mesmo quando nos atiram um “ah, tínhamos lá muito disso, mas ficaram estragadas com a humidade e deitámos tudo fora”, que nos arrepia até à raiz dos cabelos.

O que importa é podermos ver e mexer e aspirar o diferente aroma de cada livro. Isso é que importa. Sentir o aroma de uma editora que ama os livros.

O resultado da “birra” da LEYA foi só um: em vez de se integrar na Feira do Livro de Lisboa, colocou as suas barracas vermelhas e brancas em círculo fechado, auto-excluindo-se de todas as outras. Em cada entrada, alarmes iguaizinhos aos hipermercados, com o respectivo segurança ao lado. Prateleiras com livros em exposição, como bibelots. E, no meio, caixas, como no supermercado. E, ainda no meio, um espaço para os pais deixarem os putos?

Assim, a LEYA tornou o exterior, as barracas em vez dos livros, o mais importante da sua feira. E recebeu-me à entrada, dizendo-me que eu poderia ser um potencial ladrão.

A experiência de ir à Feira do Livro é exactamente isso: ir à Feira do Livro. Se eu quiser ir ao supermercado do livro, vou à Fnac.

Por isso, a LEYA para mim acabou-se, o que significa que ASA, Caderno, Caminho, Dom Quixote, Gailivro, Livros d’Hoje, Lua de Papel, Ndjira (Moçambique), Nova Gaia, Nzila (Angola), Oceanos e Texto, acabaram-se.

Gostaria de ter podido ir à Feira do Livro quando lá esteve o sr Lobo Antunes, ter-lhe-ia sugerido que arranjasse uma editora do seu tamanho. Na última revista Ler, li que Lobo Antunes vai, por enquanto, permanecer na Dom Quixote. É pena. Gostaria de ver as lombadas completas dos seus livros na minha estante. Do mal o menos, ainda me restam as bibliotecas!