paula simoes’ blog

Aos que aprovam o acordo ortográfico

Posted in Uncategorized by paulasimoes on May 17, 2008

No El Pais (English edition with the International Herald Tribune)

“Parliament in Lisbon ratifies accord to standardize Brazilian version of language”

(…)

“In a humbling case of the empire striking back, Portugal’s Parliament on Friday ratified an interantional agreement that will have Portugal’s  10 million people speaking and writing in a virtually identical way as the 190 million inhabitants of their former Brazilizn colony within six years”.

Não se dá o caso de alguns países terem acordado de forma equidistante normas ortográficas. Não. A imagem é: os Portugueses vão passar a falar e a escrever como os Brasileiros.

“(…) Graça Moura’s petition  garnered 32000 signatures while a rival initiative in favor of changes obtained just 800 (…)”

Espero que aqueles que tecem argumentos a favor do acordo como “temos de deixar de ter a ideia de que somos donos da língua” e “a linguagem é de quem a fala”, sintam bastante vergonha perante estes números.

4 Responses

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  1. Bruno Miguel said, on May 17, 2008 at 11:51 pm

    Os números não me surpreendem, porque os portugueses, quando se querem mostrar contra algo, fazem-no sempre em bom número. Mas acho caricato, no mínimo, dizerem que os portugueses estão a tornar o português brasileiro a língua padrão do país; e isso vai um pouco de encontro à ideia que tinha do acordo ortográfico.

  2. António Afonso said, on May 18, 2008 at 9:23 am

    Não sei qual é o espanto, já se sabe como é o jornalismo, pelos vistos na nossa vizinha Espanha a coisa não melhora.
    jornalismo (tipicamente) = sensacionalismo (vamos lá vender mais uns jornais)
    Dizer que um acordo ortográfico muda a forma como se fala é no mínimo um atestado de estupidez.
    Secalhar os vizinhos do Brasil disseram que o Brasil agora voltou aos tempos coloniais porque vai começar a escrever como os portugueses sem trema, cada um puxa a brasa à sua sardinha.

    Além disso, se baseassemos os nossos actos naquilo que os outros podem pensar nunca faríamos nada :-)

  3. paulasimoes said, on May 18, 2008 at 1:35 pm

    Caro António, não se esqueça que dentro do jornalismo, como o temos hoje, o El Pais é um jornal de referência. Dos melhores.

    Sim, o acordo poderá mudar a forma como fala. Há consoantes que ao serem retiradas mudam a abertura das vogais, por exemplo. Pelo que não concordo consigo sobre o atestado de estupidez (pelo menos no que toca ao El Pais, nesta matéria)

    E se vir bem, no acordo, é Portugal quem fará maiores mudanças na aproximação.

    De resto, este acordo é um acto baseado naquilo que os outros pensam, uma vez que são decisões políticas, as razões que levaram à sua aprovação.

    A língua pertence aos falantes: se a determinada altura os falantes passassem a escrever umido, não me surpreenderia que esta palavra passasse a ser parte da língua e dar-lhe-ía o meu apoio – teria de dar é assim que a língua evolui: na verdade, muitas das palavras que temos hoje surgiram assim.
    O que é revoltante é que sejamos obrigados a escrever umido porque meia dúzia de pessoas quiseram, decidiram.

  4. hav0x said, on May 18, 2008 at 3:08 pm

    Ninguém obriga ninguém a escrever, seja o que for, seja como for. That’s the beauty of it.
    Mas gostava de ver alguem tentar obrigar-me a escrever “umido” em vez de húmido.
    O pseudo acordo é de resto tão acéfalo que nem vale a pena comentar.


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