Registo em websites as in Facebook
Se há coisa que me aborrece, irrita, tira do sério é a política do “entre à vontade, mas dificilmente poderá sair” em que a segunda acção está descrita, quase sempre, escondida num link, num fim de uma página, quando está.
O Facebook é um dos exemplos paradigmáticos deste caso: existe mesmo um grupo no Facebook que explica os procedimentos de saída – apagar todas as informações da nossa conta e depois contactar os srs do Facebook para a removerem. A web está cheia de artigos e experiências sobre as dificuldades deste processo (desde o insucesso à ameaça com acções legais, por parte dos utilizadores).
Há pouco tempo, numa mailing list, não só tive o desprazer de anunciar à pessoa em questão que ela não podia remover a sua conta do Facebook, como ainda me vi obrigada a contestar a ideia de que tal se deve ao facto da empresa Facebook poder ter de guardar os registos, por questões legais (eek!)
O máximo que um utilizador do Facebbok consegue é desactivar a sua conta. Meses mais tarde, basta-lhe efectuar login ou uma recuperação de password para poder ver a sua conta exactamente como a deixou.
Não se trata de pânico: não me passa pela cabeça meter informação sensível numa aplicação como o Facebook, mas só o facto de não poder sair pelo meu próprio pé, depois de aferir e avaliar a aplicação, irrita-me profundamente. Mau-feitio, pensará o leitor. Seja. Mas incomoda.
Associado a isto, advêm-me uma outra irritação: o facto das pessoas não interpretarem aquilo que lêem.
Recentemente, uma Paula Simões, que não eu, registou-se no site casa.sapo.pt. Sei lá eu que pensamentos tortuosos estariam a ocorrer em tal cérebro, para que a referida pessoa pensasse que detinha o meu email.
Conclusão, chegou-me à caixa de correio um email com username e password.
(Cara Paula, escolher 86 como password nunca é boa ideia)
O processo deve ter funcionado logo à partida, porque ela não teve meio de confirmar através de um email os dados. Chegou, inclusive, a colocar um pedido de visita a um apartamento.
Assim que me apercebi do sucedido enviei um email a explicar a situação e que gostaria que a minha conta fosse removida.
Recebi uma resposta tão simpática como as quase respostas automáticas a dizer que sim, que a minha conta foi desactivada.
Eu tenho este hábito terrível de achar que se peço para a minha conta ser removida, a minha conta é removida. De forma, que só uns dias mais tarde, a minha experiência de vida assinalou uma luzinha vermelha no meu cérebro: fui ao site, fiz uma recuperação da password e a conta (e o meu email) estava na mesma.
Tive de voltar a enviar novo email a dizer que quando disse remover conta, queria mesmo dizer remover conta.
Mais ou menos por volta desta altura, uma outra Paula Simões (ah pois, elas descobriram os serviços web e a partir de agora é acautelar-me) requisitou um cartão de crédito ao Unibanco.
Recebi um email a dizer que em breve, eu ía receber o meu novo cartão, etc etc.
Enviei um email a explicar que não tinha pedido nenhum cartão, nem serviço, que o nome completo da pessoa em questão não coincidia com o meu e que gostaria que removessem o meu email dos registos.
Recebi uma simpática resposta, tão simpática quanto são sempre as respostas automatizadas, a dizer que o meu problema tinha sido enviado ao departamento responsável e que se eu quisesse poderia usar o número de telefone para mais questões ou o site para consultar o movimento do meu cartão.
WTF?!
Tive de enviar um email a perguntar se a pessoa tinha lido o meu email e tornei a explicar a situação.
Recebi nova resposta muito simpática a dizer que a informação seguiu por lapso e que o meu email já tinha sido removido.
A seguir, dizia ainda que se eu quisesse poderia usar o número de telefone para mais questões ou o site para consultar o movimento do meu cartão.
Definitivamente, eu não tenho paciência para estas coisas :-S
Nem todos podem ser como o Dopplr:
http://www.ownyouridentity.com/2008/05/08/how-dopplr-teaches-us-about-owning-our-identity-data/
Não me parece grande ideia partilhar publicamente a senha da outra Paula. É sabido que muitos utilizadores utilizam a mesma senha para muitos dos seus serviços.
A probabilidade de isso acontecer a alguém que não sabe o seu email é elevada
Esta conta foi removida. Relativamente à sua sugestão de a password ser usada noutras contas, a probabilidade de a password usada por essas pessoas ser 45, 87, 63, etc é igualmente elevada… got it?
Se bem que, a vontade, é mesmo dizer que alguém que dá um email que não tem a certeza que é seu (weird) e usa uma password com dois dígitos está mesmo a pedi-las.
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