Monthly Archives: March 2008

Hoje foi um dia extremamente cansativo, ams não podia deixar de escrever um post sobre este dia.

Numa altura em que a tecnologia muda tão rapidamente e que é tão fácil ficar prisioneiro do hardware, é importante não nos deixarmos prender também pelos formatos, escolhendo aqueles que são abertos, que são realmente abertos.

Na perspectiva da História, esta escolha pode ser crucial para mantermos o conhecimento.

Open Document Freedom Day

Foi no site da Associação Ensino Livre que encontrei a exemplar experiência da Escola Dr. Mário Sacramento. O estudo está disponível no site da Associação. Parabéns a esta escola!

Gostaria de registar aqui as opiniões de um grupo de alunos do 10º ano, que podem ser lidas no estudo conduzido pelo Professor Sérgio Ramos, porque elas demonstram um pouco aquilo em que acredito, que um aluno pode ter orgulho em não piratear software e que os professores têm um papel fulcral nessa formação:

“Nem todos têm o privilégio de trabalhar com
o Linux e o OpenOffice. Estas ferramentas são
importantes para o nosso futuro,
principalmente porque somos capazes de
trabalhar com vários sistemas operativos. Eu
gostei de trabalhar com este software e esta foi
uma nova experiência.”

“Ao contrário do Linux, o sistema Windows é
obtido por compra ou por pirataria. Se não
querem passar três anos na prisão, escolham o
Linux, ou então gastem do vosso salário
mensal para pagar uma coisa que se podia
obter de graça.”

“O OpenOffice é um pacote prático e simples,
comparável ao Office da Microsoft, com a
vantagem de ser livre. O Calc, por exemplo, é
quase a mesma coisa do que o Excel. É uma
boa aplicação.”

“Para além de serem muito bons, estes
programas e o Linux são gratuitos.”

“Colegas, aprendam a usar software livre, vai
ser importante no vosso futuro!”

“Este sistema e todos os programas que
temos vindo a usar são livres, por isso
combatemos a pirataria e conhecemos
programas que a evitam.”

“A sociedade devia poupar dinheiro e
aderir ao software livre, como o
OpenOffice e o Linux.”

“Ao princípio, este software era um grande
ponto de interrogação, mas depois do
trabalho que fizemos, agora considero­o
útil, necessário e importante para as
nossas aplicações diárias. Resumindo, esta
foi uma surpresa agradável e
enriquecedora.”

O Correio da Manhã lançou uma colecção de livros sobre os anos de Salazar, cuja publicidade é “Nem bom, nem mau, incontornável”. A História não é neutra porque os acontecimentos não foram neutros. E há que falar das coisas e chamar as coisas pelos nomes, para não incorrermos no grave erro de modificarmos o que realmente aconteceu.

Não estamos a falar de um período da História em que haja dúvidas, mal documentada ou em que não hajam testemunhas vivas que podem provar como as coisas se passaram. É por isso que esta publicidade é intragável.

Antes de me aperceber desta publicidade, deparei-me com outra colecção que me causou o mesmo espanto: os Cadernos Biográficos do Público, onde se pode ler na pág. 9 do segundo volume:

O projecto traça a biografia de 16 personalidades portuguesas marcantes do séc. XX, em áreas tão diferentes como as artes plásticas, a música, a literatura, a política ou o espectáculo.

Primeiro ponto de espanto: estas áreas não parecem assim tão diferentes, podem algomerar-se em duas, artes e política. Não estando outras áreas incluídas, como a economia, medicina, etc, parece ter sido incluído à força o caderno sobre Salazar e Marcello Caetano (únicos  da área política).

Continuemos:

O denominador comum a estas personagens é a sua marca distintiva de originalidade. Alguns deles foram reconhecidos  em vida pelo seu mérito, outros incompreendidos e injustiçados, mesmo marginalizados.

Segundo ponto de espanto:  Salazar teve mérito e foi reconhecido em vida? Ou foi um incompreendido coitadinho?

Adiante:

Numa época de carência de auto-estima nacional, em que muito se elegem ídolos medíocres e vazios de ideias, é importante relembrar estes 16 exemplos de portugueses, homens e mulheres, que ousaram cumprir o potencial com que nasceram.

Terceiro ponto de espanto: Salazar é um exemplo para aumentar a auto-estima nacional? A censura de opiniões diferentes, a falta de liberdade, a prisão, a tortura, a fome, a guerra são exemplos que ao serem recordados aumentam a auto-estima nacional?

É péssima a publicidade do Correio da Manhã, pior se considerarmos que o público daquele jornal não tem espírito crítico. A do Público não é melhor. Como é que é dada a responsabilidade de descrever colecções desta maneira a alguém que escreve isto?

Utilizo o Windows raramente. Como fui obrigada a pagar pelo OS aquando da compra do portátil, deixei-o instalado. Tenho DVD’s com DRM que comprei muito antes de saber o que isso significava, tenho aplicações que só funcionam em windows e que comprei como um software para aprender Finlandês e os dvd’s da New Yorker.

Este fim-de-semana, ao ver um DVD o windows media center do windows crashou uma, duas vezes até que deixou de reconhecer que o meu computador tem leitor de DVD. Na web, várias utilizadores se queixaram do mesmo problema, mas não encontrei solução. Costumo manter os updates mais ou menos em dia, mas fui verificar se teria novos updates e de facto tinha uns quatro ou cinco. Fiz os updates, um deles dizia respeito ao áudio.

Conclusão: fiquei sem som no computador, o sistema continuou sem reconhecer o leitor de dvd e ainda me deu a prenda do silêncio. É um fixe, este Vista. Também me lembrei das dicas que lia e me davam quando tinha um mac: “Já há updates? Espera um dia ou dois a ver se ninguém se queixa” :-P

Uma outra coisa que notei, e que não lembra a ninguém, foi aquando dos updates, depois do download a janela que pergunta se pode prosseguir com a instalação aparecer por detrás da principal não se vendo. Na barra em baixo também não fica nenhuma indicação. Só muito depois de perceber que a janela principal não era clicável é que me lembrei que, num momento irracional, que estaria uma janela a pedir autorização atrás e não visível ao utilizador.

Eu começo a achar que as pessoas que usam windows e se queixam que não percebem de informática, na verdade andam é a ser convencidas disso pelo próprio OS. Argh!

Doravante, olharei para aquele que foi o meu apóstolo como uma mensagem E-mail olha para um envelope. Daqueles não-normalizados.”

Aqui :-)